segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Como a vida de Nikola Tesla pode inspirar a sua.

"Deixe o futuro dizer a verdade e avaliar cada um de acordo com seu trabalho. O presente é deles; o futuro, pelo qual eu realmente trabalhei, é meu"

"Deixe o futuro dizer a verdade e avaliar cada um de acordo com seu trabalho. O presente é deles; o futuro, pelo qual eu realmente trabalhei, é meu"   (Redação/Wikimedia Commons)   Brilhantismo é uma das marcas da genialidade. Mas ele acaba sendo ofuscado quando não temos conta de uma qualidade tão importante quanto, senão maior: o equilíbrio. Nikola Tesla é possivelmente o exemplo mais eloquente disso.  Não resta dúvida de que se tratava de um dos mais visionários inventores de que já se teve notícia. Tinha uma compreensão refinada dos fenômenos físicos que o levava a conceber aparatos tecnológicos que estavam muito adiante de seu tempo e que, hoje sabemos, são absolutamente viáveis. Não era uma questão de imaginação. Tesla compreendia a natureza e sabia, de antemão, o que podia ser realizado. Nesse sentido, como ele mesmo, de forma muito amarga, declarou, seu proceder era muito diferente do de seu principal rival, Thomas Edison.  Contudo, Tesla nunca teve suficiente equilíbrio para separar o que estava ao alcance no momento e o que só poderia vir com o futuro. Seu desenvolvimento inicial da corrente alternada – que hoje sustenta a nossa civilização ávida por energia elétrica, algo que não pode de modo algum ser menosprezado – só chegou a termo porque resultou de um equilíbrio entre a defesa da corrente contínua por Edison, de um lado, e sua apaixonada convicção a respeito de seu próprio sistema, financiado pelo poderoso magnata George Westinghouse. Ironicamente, foi a presença de Edison do outro lado da gangorra que fez com que a atitude em geral desequilibrada de Tesla produzisse um resultado concreto. O inventor sérvio-americano nunca teve postura contemporizadora, mas o sistema como um todo estava em equilíbrio.  Uma vez vencida a “guerra das correntes”, o resto da carreira de Tesla – diferentemente da de Edison – se resumiu a ideias. Algumas até demonstradas, mas nenhuma efetivamente concretizada. Por quê? Provavelmente porque faltou a capacidade de “ler” as situações e planejar com inteligência a evolução de seus conceitos rumo à aplicação prática. Em resumo, faltou equilíbrio.  Tesla sempre foi afoito e tinha uma postura megalomaníaca – provavelmente fruto do conhecimento, nunca muito saudável, de que ele era de fato genial. Convencido disso, não sabia temperar suas próprias ideias, fazer a distinção entre o que sabia e o que achava, entre o que era possível e o que era provável. Faltou equilíbrio. Não adianta ser a mente mais poderosa da face da Terra se você não entende que o mundo lá fora não é feito de gênios, nem é para gênios (ainda bem!).  O contraste entre o que o mundo lhe oferecia e o que ele acreditava incutiu a noção de que Tesla foi um gênio incompreendido, que poderia ter realizado muito mais se houvesse outros visionários a apoiá-lo. Submeto a essa noção a crítica de que foi justamente Tesla quem não soube moldar o mundo às suas ideias. Note que Edison teve o mesmo ponto de partida, senão pior: situação de pouco dinheiro, com o agravante de não ter tido nenhum tipo de educação formal, enquanto Tesla estudou, pelo menos por um tempo, como manda o figurino. Mas o que o primeiro teve e o segundo não foi um plano de ação que o permitisse ir construindo aos poucos, de forma sustentável e segura, sua visão.  Ambos realizaram notáveis transformações na sociedade. Mas certamente Tesla não teria conseguido emplacar sozinho o conceito de corrente alternada, se antes Edison não tivesse demonstrado que ter eletricidade distribuída em lares e nas ruas era importante e desejável. Tesla era o gênio, Edison o realizador. Juntos, teriam sido imbatíveis. Quis o destino que se tornassem rapidamente rivais amargos. E, entre o realizador e o gênio incompreendido, todos sabemos quem o mundo escolhe.  É razão para reflexão: estamos tendo equilíbrio em nossos projetos de vida? Cada peça faz parte de um plano mais amplo? Todas elas se encaixam com exatidão ou, pelo menos, parecem caminhar na direção de construir um único quadro? Ou, em vez disso, queremos montar o quebra-cabeça todo de uma vez, encaminhar todos nossos objetivos o mais rápido possível, se possível num passe de mágica, e crescer explosivamente, seja em termos financeiros, pessoais, seja profissionais? Essa segunda abordagem está quase certamente fadada ao fracasso, salvo por um golpe de sorte que acontece uma vez a cada milhão de anos. Para não contar com probabilidades tão baixa de sucesso, temos de ter equilíbrio. Saber que nossa trajetória sempre será feita de vitórias e derrotas, e que ambas têm seu valor no nosso eterno aprendizado em busca de uma vida feliz, plena e repleta de realizações.    Fonte: Super Interessante
(Redação/Wikimedia Commons)

Brilhantismo é uma das marcas da genialidade. Mas ele acaba sendo ofuscado quando não temos conta de uma qualidade tão importante quanto, senão maior: o equilíbrio. Nikola Tesla é possivelmente o exemplo mais eloquente disso.
Não resta dúvida de que se tratava de um dos mais visionários inventores de que já se teve notícia. Tinha uma compreensão refinada dos fenômenos físicos que o levava a conceber aparatos tecnológicos que estavam muito adiante de seu tempo e que, hoje sabemos, são absolutamente viáveis. Não era uma questão de imaginação. Tesla compreendia a natureza e sabia, de antemão, o que podia ser realizado. Nesse sentido, como ele mesmo, de forma muito amarga, declarou, seu proceder era muito diferente do de seu principal rival, Thomas Edison.
Contudo, Tesla nunca teve suficiente equilíbrio para separar o que estava ao alcance no momento e o que só poderia vir com o futuro. Seu desenvolvimento inicial da corrente alternada – que hoje sustenta a nossa civilização ávida por energia elétrica, algo que não pode de modo algum ser menosprezado – só chegou a termo porque resultou de um equilíbrio entre a defesa da corrente contínua por Edison, de um lado, e sua apaixonada convicção a respeito de seu próprio sistema, financiado pelo poderoso magnata George Westinghouse. Ironicamente, foi a presença de Edison do outro lado da gangorra que fez com que a atitude em geral desequilibrada de Tesla produzisse um resultado concreto. O inventor sérvio-americano nunca teve postura contemporizadora, mas o sistema como um todo estava em equilíbrio.
Uma vez vencida a “guerra das correntes”, o resto da carreira de Tesla – diferentemente da de Edison – se resumiu a ideias. Algumas até demonstradas, mas nenhuma efetivamente concretizada. Por quê? Provavelmente porque faltou a capacidade de “ler” as situações e planejar com inteligência a evolução de seus conceitos rumo à aplicação prática. Em resumo, faltou equilíbrio.
Tesla sempre foi afoito e tinha uma postura megalomaníaca – provavelmente fruto do conhecimento, nunca muito saudável, de que ele era de fato genial. Convencido disso, não sabia temperar suas próprias ideias, fazer a distinção entre o que sabia e o que achava, entre o que era possível e o que era provável. Faltou equilíbrio. Não adianta ser a mente mais poderosa da face da Terra se você não entende que o mundo lá fora não é feito de gênios, nem é para gênios (ainda bem!).
O contraste entre o que o mundo lhe oferecia e o que ele acreditava incutiu a noção de que Tesla foi um gênio incompreendido, que poderia ter realizado muito mais se houvesse outros visionários a apoiá-lo. Submeto a essa noção a crítica de que foi justamente Tesla quem não soube moldar o mundo às suas ideias. Note que Edison teve o mesmo ponto de partida, senão pior: situação de pouco dinheiro, com o agravante de não ter tido nenhum tipo de educação formal, enquanto Tesla estudou, pelo menos por um tempo, como manda o figurino. Mas o que o primeiro teve e o segundo não foi um plano de ação que o permitisse ir construindo aos poucos, de forma sustentável e segura, sua visão.
Ambos realizaram notáveis transformações na sociedade. Mas certamente Tesla não teria conseguido emplacar sozinho o conceito de corrente alternada, se antes Edison não tivesse demonstrado que ter eletricidade distribuída em lares e nas ruas era importante e desejável. Tesla era o gênio, Edison o realizador. Juntos, teriam sido imbatíveis. Quis o destino que se tornassem rapidamente rivais amargos. E, entre o realizador e o gênio incompreendido, todos sabemos quem o mundo escolhe.
É razão para reflexão: estamos tendo equilíbrio em nossos projetos de vida? Cada peça faz parte de um plano mais amplo? Todas elas se encaixam com exatidão ou, pelo menos, parecem caminhar na direção de construir um único quadro? Ou, em vez disso, queremos montar o quebra-cabeça todo de uma vez, encaminhar todos nossos objetivos o mais rápido possível, se possível num passe de mágica, e crescer explosivamente, seja em termos financeiros, pessoais, seja profissionais? Essa segunda abordagem está quase certamente fadada ao fracasso, salvo por um golpe de sorte que acontece uma vez a cada milhão de anos. Para não contar com probabilidades tão baixa de sucesso, temos de ter equilíbrio. Saber que nossa trajetória sempre será feita de vitórias e derrotas, e que ambas têm seu valor no nosso eterno aprendizado em busca de uma vida feliz, plena e repleta de realizações.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Nikola Tesla

O excêntrico inventor nascido na Sérvia que tornaria a distribuição de energia elétrica viável em longas distâncias.

O excêntrico inventor nascido na Sérvia que tornaria a distribuição de energia elétrica viável em longas distâncias.     Dizem que a genialidade costuma morar muito perto da loucura. Não há evidência conclusiva, mas o preceito certamente se aplicava a Nikola Tesla.  Seu feito mais concreto, entre tantos, foi ter desbancado o sistema de corrente direta (DC) de distribuição de eletricidade advogado por Thomas Edison com a corrente alternada (AC), que sairia vencedora na disputa de padrão, viabilizando o fornecimento de energia proveniente de fontes remotas – seria extremamente complicado, por exemplo, levar energia de Itaipu para a costa brasileira se não fosse a corrente alternada.  “Seu nome se tornou sinônimo de magia nos mundos intelectual, científico, social e de engenharia, e ele foi reconhecido como um inventor e descobridor de grandeza sem paralelo”, disse James J. O’Neill, amigo e biógrafo de Tesla.  Sérvio de nascimento, foi nos Estados Unidos que ele desenvolveu suas ideias mais fabulosas. Seu primeiro emprego no país foi justamente sob o comando de Edison. E foi lá que nasceram os desentendimentos entre ambos que levaram à “guerra das correntes”.  Em 1885, Tesla disse a Edison que podia redesenhar seus motores e geradores ineficientes, melhorando o desempenho. O patrão teria respondido: “Há 50 mil dólares nisso para você – se conseguir”. A empresa nem tinha um montante desses (equivalente a US$ 1,2 milhão de hoje), mas Tesla levou a sério. Quando concluiu o trabalho e foi cobrar, o chefe disse que estava brincando. “Tesla, você não entende nosso humor americano.” Deu um aumento a ele e tocou a vida. O sérvio ficou fulo e pediu demissão.  Ao sair, desenvolveu o sistema de corrente alternada e se emparceirou com George Westinghouse para popularizá-lo. E foi aí que o empregado superou o patrão. Edison mais tarde admitiria que seu único erro na carreira foi ter favorecido o sistema DC, em vez do AC.  VISÃO ALÉM DO ALCANCE  Se para Edison a genialidade era 99% transpiração e 1% inspiração, para Tesla era o contrário. Hábil com a ciência por trás dos fenômenos, ele dependia menos da prática para produzir invenções. Por isso, até ganhou a fama de futurista.  O inventor desenvolveu meios de transmitir eletricidade sem fio a dispositivos, pensou num veículo aéreo movido a propulsão iônica e foi precursor do rádio e da robótica, entre outros feitos.  Flertando igualmente com a loucura, tinha obsessão pelo número 3 e vivia recluso boa parte do tempo. Os relatos dão toda a pinta de que ele sofria de distúrbio obsessivo-compulsivo, o que certamente contribuiu para sua fama de “cientista maluco”. Ele viveu os últimos dez anos de sua vida num quarto de hotel em Nova York. Morreu em 1943, aos 86 anos.  Fonte: Super Interessante

Dizem que a genialidade costuma morar muito perto da loucura. Não há evidência conclusiva, mas o preceito certamente se aplicava a Nikola Tesla.
Seu feito mais concreto, entre tantos, foi ter desbancado o sistema de corrente direta (DC) de distribuição de eletricidade advogado por Thomas Edison com a corrente alternada (AC), que sairia vencedora na disputa de padrão, viabilizando o fornecimento de energia proveniente de fontes remotas – seria extremamente complicado, por exemplo, levar energia de Itaipu para a costa brasileira se não fosse a corrente alternada.
“Seu nome se tornou sinônimo de magia nos mundos intelectual, científico, social e de engenharia, e ele foi reconhecido como um inventor e descobridor de grandeza sem paralelo”, disse James J. O’Neill, amigo e biógrafo de Tesla.
Sérvio de nascimento, foi nos Estados Unidos que ele desenvolveu suas ideias mais fabulosas. Seu primeiro emprego no país foi justamente sob o comando de Edison. E foi lá que nasceram os desentendimentos entre ambos que levaram à “guerra das correntes”.
Em 1885, Tesla disse a Edison que podia redesenhar seus motores e geradores ineficientes, melhorando o desempenho. O patrão teria respondido: “Há 50 mil dólares nisso para você – se conseguir”. A empresa nem tinha um montante desses (equivalente a US$ 1,2 milhão de hoje), mas Tesla levou a sério. Quando concluiu o trabalho e foi cobrar, o chefe disse que estava brincando. “Tesla, você não entende nosso humor americano.” Deu um aumento a ele e tocou a vida. O sérvio ficou fulo e pediu demissão.
Ao sair, desenvolveu o sistema de corrente alternada e se emparceirou com George Westinghouse para popularizá-lo. E foi aí que o empregado superou o patrão. Edison mais tarde admitiria que seu único erro na carreira foi ter favorecido o sistema DC, em vez do AC.
VISÃO ALÉM DO ALCANCE
Se para Edison a genialidade era 99% transpiração e 1% inspiração, para Tesla era o contrário. Hábil com a ciência por trás dos fenômenos, ele dependia menos da prática para produzir invenções. Por isso, até ganhou a fama de futurista.
O inventor desenvolveu meios de transmitir eletricidade sem fio a dispositivos, pensou num veículo aéreo movido a propulsão iônica e foi precursor do rádio e da robótica, entre outros feitos.
Flertando igualmente com a loucura, tinha obsessão pelo número 3 e vivia recluso boa parte do tempo. Os relatos dão toda a pinta de que ele sofria de distúrbio obsessivo-compulsivo, o que certamente contribuiu para sua fama de “cientista maluco”. Ele viveu os últimos dez anos de sua vida num quarto de hotel em Nova York. Morreu em 1943, aos 86 anos.

Por que o espaço é escuro se o Sol está iluminando o vácuo?

Sendo que, quando eu acendo a luz do meu quarto, tudo que está lá dentro se ilumina?

Sendo que, quando eu acendo a luz do meu quarto, tudo que está lá dentro se ilumina?     Porque no vácuo o Sol não tem nada para iluminar.  Para explicar, imagine que, em vez de luz, a estrela emite bolinhas minúsculas. Isso não é tão distante da realidade, já que a luz visível e todas as demais formas de radiação eletromagnética são compostas de fótons, partículas do modelo padrão.  O seu olho só vê coisas quando essas bolinhas entram pela pupila e atingem a retina, ativando as células fotorreceptores (cones e bastonetes) que existem no fundo do globo ocular.  Se você for um astronauta no espaço aberto, olhando para o Sol – não faça isso –, ele evidentemente estará emitindo bolinhas em todas as direções. Mas você só verá as bolinhas que estiverem entrando nos seus olhos. As bolinhas que ele emite para cima, para baixo ou para os lados não serão visíveis.  Agora mude a situação. Imagine que você está em um quarto e escuro e acende a luz. Ainda há fótons que trafegam diretamente da lâmpada no teto para os seus olhos. Mas também há fótons que batem na parede e só então alcançam sua visão. Fótons que refletem nos objetos e chegam a você. Fótons que refletem no seu próprio corpo e depois penetram na sua pupila.  Como o quarto é forrado se superfícies, ele se acende completamente conforme as coisas que estão dentro dele dispersam os raios de luz que incidem sobre elas.  No espaço, os únicos objetos são planetas, e eles de fato são acesos pelo Sol. É por isso que nós somos capazes de observá-los aqui da Terra: eles refletem a luz da estrela na nossa direção. Mas o vácuo não é alguma coisa para refletir luz na nossa direção.

Porque no vácuo o Sol não tem nada para iluminar.
Para explicar, imagine que, em vez de luz, a estrela emite bolinhas minúsculas. Isso não é tão distante da realidade, já que a luz visível e todas as demais formas de radiação eletromagnética são compostas de fótons, partículas do modelo padrão.
O seu olho só vê coisas quando essas bolinhas entram pela pupila e atingem a retina, ativando as células fotorreceptores (cones e bastonetes) que existem no fundo do globo ocular.
Se você for um astronauta no espaço aberto, olhando para o Sol – não faça isso , ele evidentemente estará emitindo bolinhas em todas as direções. Mas você só verá as bolinhas que estiverem entrando nos seus olhos. As bolinhas que ele emite para cima, para baixo ou para os lados não serão visíveis.
Agora mude a situação. Imagine que você está em um quarto e escuro e acende a luz. Ainda há fótons que trafegam diretamente da lâmpada no teto para os seus olhos. Mas também há fótons que batem na parede e só então alcançam sua visão. Fótons que refletem nos objetos e chegam a você. Fótons que refletem no seu próprio corpo e depois penetram na sua pupila.
Como o quarto é forrado se superfícies, ele se acende completamente conforme as coisas que estão dentro dele dispersam os raios de luz que incidem sobre elas.
No espaço, os únicos objetos são planetas, e eles de fato são acesos pelo Sol. É por isso que nós somos capazes de observá-los aqui da Terra: eles refletem a luz da estrela na nossa direção. Mas o vácuo não é alguma coisa para refletir luz na nossa direção.

domingo, 1 de dezembro de 2019

NAFTA

Ilustração: Maxx-Studio / Shutterstock.com  Ilustração: Maxx-Studio / Shutterstock.com    O NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte (North American Free Trade Agreement – em inglês) é um acordo econômico e comercial – também chamado bloco econômico – formado por Estados Unidos, Canadá e México. Criado efetivamente em 1° de janeiro de 1994, tem como objetivo o fortalecimento das relações comerciais entre esses países. A estratégia estadunidense de criação do bloco visa enfrentar a concorrência dos mercados europeu e especialmente o asiático, que tem tido vigorosa evolução nos últimos anos.    Além dos países da América do Norte, o Chile participa do acordo como membro associado. Este status garante ao país sul-americano vantagens como a redução de impostos para a comercialização de mercadorias com os demais membros do Nafta.    Objetivos do NAFTA Eliminar barreiras alfandegárias – os impostos de importação de bens e mercadorias. Facilitar o trânsito de produtos e serviços entre os territórios dos países participantes do acordo. Promover condições para que haja um ambiente de competição equilibrada dentro da área de abrangência do NAFTA. Ampliar as oportunidades de investimento dentro dos países e entre os países participantes do acordo. Oferecer proteção efetiva e adequada e garantir os direitos de propriedade intelectual no território dos países membros – este objetivo aplica-se à produção científica e especialmente a cultural. Características do Bloco O acordo não prevê a livre circulação de pessoas pelos países integrantes do bloco. A imigração de mexicanos para os Estados Unidos continua controlada e com restrições semelhantes à existentes antes da criação da parceria econômica.  O NAFTA possui caráter essencialmente econômico – este fator explica o restrito nível de integração. O bloco pode ser caracterizado como uma Zona de Livre Comércio – não alcançando nem o status de União Aduaneira.  A eliminação de barreiras alfandegárias têm ocorrido de forma gradual e lenta. O impedimento para a celeridade na integração é justificada pela necessidade de proteger setores ainda frágeis da economia de cada um dos países-membros.  O NAFTA – ao contrário da União Europeia – não possui uma instituição ou governo para a administração do bloco. Também não tem leis supranacionais – ou seja, normas que sejam superiores às existentes em cada país membro.    Relações comerciais desiguais Os mercados que integram o Nafta possuem enormes disparidades. O México, por exemplo é um país com significativos números de crescimento da população, movimentos migratórios e desigualdades sociais.  O Canadá, apesar de possuir elevado padrão de vida e baixo crescimento vegetativo, em comparação à economia dos Estados Unidos, tem reduzida significância no cenário econômico mundial – o Produto Interno Bruto do país corresponde a apenas 10% do PIB estadunidense.  Dentro do NAFTA, as relações comerciais acabam por gravitar em torno dos Estados Unidos, pois tanto economia do Canadá quanto a do México são dependentes das exportações para o gigante estadunidense. De maneira semelhante, os Estados Unidos utiliza esta relação de dependência para adquirir desses países, matérias-primas e mercadorias a custos reduzidos e vender os produtos industrializados produzidos em território estadunidense.  A situação do México é ainda mais grave, pois a sua economia chega a possuir um caráter de submissão frente aos Estados Unidos. As exportações, a indústria, as atividades agropecuárias e de mineração são, em sua maioria destinadas ao país vizinho. Além disso, grandes empresas estadunidenses instalam filiais de suas indústrias em território mexicano – na fronteira com os EUA – para reduzirem custos com salários, impostos, e restrições ambientais. Estas indústrias, são conhecidas como maquiladoras.      Bibliografia:  BONIFACE, Pascal; VEDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.  CATTANI, Antonio David. Riqueza e Desigualdade na América Latina. Porto Alegre: Zouk, 2010.  SMITH, Dan. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007.  ZOLO, Danilo. Globalização – um mapa para os problemas. São Paulo: Conceito Editorial, 2010.  Arquivado em: Economia, Geografia
Ilustração: Maxx-Studio / Shutterstock.com

NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte (North American Free Trade Agreement – em inglês) é um acordo econômico e comercial – também chamado bloco econômico – formado por Estados UnidosCanadá e México. Criado efetivamente em 1° de janeiro de 1994, tem como objetivo o fortalecimento das relações comerciais entre esses países. A estratégia estadunidense de criação do bloco visa enfrentar a concorrência dos mercados europeu e especialmente o asiático, que tem tido vigorosa evolução nos últimos anos.

Além dos países da América do Norte, o Chile participa do acordo como membro associado. Este status garante ao país sul-americano vantagens como a redução de impostos para a comercialização de mercadorias com os demais membros do Nafta.

Objetivos do NAFTA

  • Eliminar barreiras alfandegárias – os impostos de importação de bens e mercadorias.
  • Facilitar o trânsito de produtos e serviços entre os territórios dos países participantes do acordo.
  • Promover condições para que haja um ambiente de competição equilibrada dentro da área de abrangência do NAFTA.
  • Ampliar as oportunidades de investimento dentro dos países e entre os países participantes do acordo.
  • Oferecer proteção efetiva e adequada e garantir os direitos de propriedade intelectual no território dos países membros – este objetivo aplica-se à produção científica e especialmente a cultural.

Características do Bloco

O acordo não prevê a livre circulação de pessoas pelos países integrantes do bloco. A imigração de mexicanos para os Estados Unidos continua controlada e com restrições semelhantes à existentes antes da criação da parceria econômica.
O NAFTA possui caráter essencialmente econômico – este fator explica o restrito nível de integração. O bloco pode ser caracterizado como uma Zona de Livre Comércio – não alcançando nem o status de União Aduaneira.
A eliminação de barreiras alfandegárias têm ocorrido de forma gradual e lenta. O impedimento para a celeridade na integração é justificada pela necessidade de proteger setores ainda frágeis da economia de cada um dos países-membros.
O NAFTA – ao contrário da União Europeia – não possui uma instituição ou governo para a administração do bloco. Também não tem leis supranacionais – ou seja, normas que sejam superiores às existentes em cada país membro.

Relações comerciais desiguais

Os mercados que integram o Nafta possuem enormes disparidades. O México, por exemplo é um país com significativos números de crescimento da população, movimentos migratórios e desigualdades sociais.
O Canadá, apesar de possuir elevado padrão de vida e baixo crescimento vegetativo, em comparação à economia dos Estados Unidos, tem reduzida significância no cenário econômico mundial – o Produto Interno Bruto do país corresponde a apenas 10% do PIB estadunidense.
Dentro do NAFTA, as relações comerciais acabam por gravitar em torno dos Estados Unidos, pois tanto economia do Canadá quanto a do México são dependentes das exportações para o gigante estadunidense. De maneira semelhante, os Estados Unidos utiliza esta relação de dependência para adquirir desses países, matérias-primas e mercadorias a custos reduzidos e vender os produtos industrializados produzidos em território estadunidense.
A situação do México é ainda mais grave, pois a sua economia chega a possuir um caráter de submissão frente aos Estados Unidos. As exportações, a indústria, as atividades agropecuárias e de mineração são, em sua maioria destinadas ao país vizinho. Além disso, grandes empresas estadunidenses instalam filiais de suas indústrias em território mexicano – na fronteira com os EUA – para reduzirem custos com salários, impostos, e restrições ambientais. Estas indústrias, são conhecidas como maquiladoras.


Bibliografia:
BONIFACE, Pascal; VEDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.
CATTANI, Antonio David. Riqueza e Desigualdade na América Latina. Porto Alegre: Zouk, 2010.
SMITH, Dan. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007.
ZOLO, Danilo. Globalização – um mapa para os problemas. São Paulo: Conceito Editorial, 2010.
Arquivado em: EconomiaGeografia

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O futuro da Lua

Não é mais uma corrida entre superpotências; vários países e empresas têm hoje interesse em explorar a Lua.

Não é mais uma corrida entre superpotências; vários países e empresas têm hoje interesse em explorar a Lua.    (SpaceX/Divulgação)    Vamos tirar isto da frente logo de cara: sabemos que o destino de todas as previsões sobre o futuro é errar, e o erro costuma crescer quanto mais tempo tentamos abarcar. Prever que humanos voltarão a visitar a Lua num prazo de dez anos é bem razoável e há pouca chance de estar errado. Mas ir muito além disso torna o esforço cada vez mais inócuo. Ainda assim, vale a pena fazê-lo, porque é assim que o futuro é construído – primeiro com ideias e sonhos, depois com planos e, apenas na última etapa, como realidade.  Eu, por exemplo, já me peguei pensando muitas vezes em como seria jogar futebol na Lua. É, futebol na Lua. Já vimos a tacada de golfe de Alan Shepard na Apollo 14, mas como seria futebol? O campo teria de ser maior? As traves mais altas? A bola mais pesada? O mero fato de a gravidade lunar ser um sexto da terrestre transformaria uma das maiores práticas de entretenimento da Terra em algo muito diferente do que é. Morar em outros mundos necessariamente cria variações culturais, enriquece nosso repertório.    A SpaceX espera viabilizar a construção de uma base lunar como esta com seus veículos Starship-Super Heavy. (SpaceX/Divulgação)    Então, a primeira coisa que dá para dizer que vai acontecer quando houver pessoas morando na Lua é que isso tornará a humanidade socialmente mais rica e interessante. O ambiente na superfície é inóspito. Os futuros lunarianos viverão entocados, apenas de vez em quando colocando um traje espacial para caminhar pela superfície e apreciar a vista. As primeiras habitações serão módulos acoplados na superfície e depois recobertos por regolito – os pequenos grãos de solo que recobrem a Lua –, a fim de obter proteção contra radiação e micrometeoritos. Mais tarde, podemos imaginar máquinas escavando túneis no subsolo, criando uma vasta infraestrutura.    Por fim, podemos apostar que a exploração futura da Lua será um empreendimento internacional. Foi-se o tempo em que americanos e russos mantinham o monopólio dos orbitadores e dos módulos de pouso lunares. Em 2003, a ESA (Agência Espacial Europeia) enviou seu primeiro orbitador lunar, a Smart-1. A Jaxa (agência espacial japonesa) enviou o seu, Selene, em 2007, mesmo ano em que os chineses lançaram o deles, Chang’e 1. Em 2008, foi a vez dos indianos, com a Chandrayaan 1. Em 2010, a China voltou à carga com a Chang’e 2 e, em 2013, tornou-se o terceiro país a fazer um pouso suave na Lua, com a Chang’e 3. A ousadia aumentou com a Chang’e 4, que realizou o primeiro pouso suave da história no lado oculto da Lua, em janeiro de 2019.      Concepção artística de uma habitação em uma “vila lunar”, ideia da Agência Espacial Europeia. (ESA/Divulgação)    O grupo israelense SpaceIL tentou realizar o primeiro pouso privado na Lua, que falhou por pouco em abril. Mas vem mais por aí. Entre países e empresas, podemos esperar espaçonaves indianas, chinesas, alemãs, sul-coreanas, russas, japonesas e até uma brasileira – a Garatéa-L, missão privada coordenada pelo engenheiro espacial Lucas Fonseca. A um custo de US$ 10 milhões, ela deve ir à órbita da Lua no início da próxima década.  Achar que, após a primeira onda, toda essa gente vai perder o interesse é improvável. Os chineses já falam em pouso tripulado ao redor de 2030. Todas essas expedições terão um foco importante em ciência. Mas, se os foguetes de alta capacidade (como o Starship-Super Heavy, da SpaceX) se tornarem uma realidade, não há por que acreditar que as únicas razões para ir à Lua serão científicas. Jeff Bezos acha que o único modo de proteger a Terra é ir levando, ao longo de gerações, toda a indústria pesada para o espaço.  Não dá para imaginar indústrias aproveitando incentivos fiscais para se instalar na Lua nos próximos 50 anos. Mas e nos próximos 100? E nos próximos 500? Quando nos damos conta de que o futuro diante de nós não tem um prazo final, tudo se torna possível. É só a gente querer. Bora bater um futiba lunar?  FONTE: Revista Superinteressante Conteúdo exclusivo para assinantes.... https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-lua/
 (SpaceX/Divulgação)

Vamos tirar isto da frente logo de cara: sabemos que o destino de todas as previsões sobre o futuro é errar, e o erro costuma crescer quanto mais tempo tentamos abarcar. Prever que humanos voltarão a visitar a Lua num prazo de dez anos é bem razoável e há pouca chance de estar errado. Mas ir muito além disso torna o esforço cada vez mais inócuo. Ainda assim, vale a pena fazê-lo, porque é assim que o futuro é construído – primeiro com ideias e sonhos, depois com planos e, apenas na última etapa, como realidade.
Eu, por exemplo, já me peguei pensando muitas vezes em como seria jogar futebol na Lua. É, futebol na Lua. Já vimos a tacada de golfe de Alan Shepard na Apollo 14, mas como seria futebol? O campo teria de ser maior? As traves mais altas? A bola mais pesada? O mero fato de a gravidade lunar ser um sexto da terrestre transformaria uma das maiores práticas de entretenimento da Terra em algo muito diferente do que é. Morar em outros mundos necessariamente cria variações culturais, enriquece nosso repertório.
Não é mais uma corrida entre superpotências; vários países e empresas têm hoje interesse em explorar a Lua.    (SpaceX/Divulgação)    Vamos tirar isto da frente logo de cara: sabemos que o destino de todas as previsões sobre o futuro é errar, e o erro costuma crescer quanto mais tempo tentamos abarcar. Prever que humanos voltarão a visitar a Lua num prazo de dez anos é bem razoável e há pouca chance de estar errado. Mas ir muito além disso torna o esforço cada vez mais inócuo. Ainda assim, vale a pena fazê-lo, porque é assim que o futuro é construído – primeiro com ideias e sonhos, depois com planos e, apenas na última etapa, como realidade.  Eu, por exemplo, já me peguei pensando muitas vezes em como seria jogar futebol na Lua. É, futebol na Lua. Já vimos a tacada de golfe de Alan Shepard na Apollo 14, mas como seria futebol? O campo teria de ser maior? As traves mais altas? A bola mais pesada? O mero fato de a gravidade lunar ser um sexto da terrestre transformaria uma das maiores práticas de entretenimento da Terra em algo muito diferente do que é. Morar em outros mundos necessariamente cria variações culturais, enriquece nosso repertório.    A SpaceX espera viabilizar a construção de uma base lunar como esta com seus veículos Starship-Super Heavy. (SpaceX/Divulgação)    Então, a primeira coisa que dá para dizer que vai acontecer quando houver pessoas morando na Lua é que isso tornará a humanidade socialmente mais rica e interessante. O ambiente na superfície é inóspito. Os futuros lunarianos viverão entocados, apenas de vez em quando colocando um traje espacial para caminhar pela superfície e apreciar a vista. As primeiras habitações serão módulos acoplados na superfície e depois recobertos por regolito – os pequenos grãos de solo que recobrem a Lua –, a fim de obter proteção contra radiação e micrometeoritos. Mais tarde, podemos imaginar máquinas escavando túneis no subsolo, criando uma vasta infraestrutura.    Por fim, podemos apostar que a exploração futura da Lua será um empreendimento internacional. Foi-se o tempo em que americanos e russos mantinham o monopólio dos orbitadores e dos módulos de pouso lunares. Em 2003, a ESA (Agência Espacial Europeia) enviou seu primeiro orbitador lunar, a Smart-1. A Jaxa (agência espacial japonesa) enviou o seu, Selene, em 2007, mesmo ano em que os chineses lançaram o deles, Chang’e 1. Em 2008, foi a vez dos indianos, com a Chandrayaan 1. Em 2010, a China voltou à carga com a Chang’e 2 e, em 2013, tornou-se o terceiro país a fazer um pouso suave na Lua, com a Chang’e 3. A ousadia aumentou com a Chang’e 4, que realizou o primeiro pouso suave da história no lado oculto da Lua, em janeiro de 2019.      Concepção artística de uma habitação em uma “vila lunar”, ideia da Agência Espacial Europeia. (ESA/Divulgação)    O grupo israelense SpaceIL tentou realizar o primeiro pouso privado na Lua, que falhou por pouco em abril. Mas vem mais por aí. Entre países e empresas, podemos esperar espaçonaves indianas, chinesas, alemãs, sul-coreanas, russas, japonesas e até uma brasileira – a Garatéa-L, missão privada coordenada pelo engenheiro espacial Lucas Fonseca. A um custo de US$ 10 milhões, ela deve ir à órbita da Lua no início da próxima década.  Achar que, após a primeira onda, toda essa gente vai perder o interesse é improvável. Os chineses já falam em pouso tripulado ao redor de 2030. Todas essas expedições terão um foco importante em ciência. Mas, se os foguetes de alta capacidade (como o Starship-Super Heavy, da SpaceX) se tornarem uma realidade, não há por que acreditar que as únicas razões para ir à Lua serão científicas. Jeff Bezos acha que o único modo de proteger a Terra é ir levando, ao longo de gerações, toda a indústria pesada para o espaço.  Não dá para imaginar indústrias aproveitando incentivos fiscais para se instalar na Lua nos próximos 50 anos. Mas e nos próximos 100? E nos próximos 500? Quando nos damos conta de que o futuro diante de nós não tem um prazo final, tudo se torna possível. É só a gente querer. Bora bater um futiba lunar?  FONTE: Revista Superinteressante Conteúdo exclusivo para assinantes.... https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-lua/
A SpaceX espera viabilizar a construção de uma base lunar como esta com seus veículos Starship-Super Heavy. (SpaceX/Divulgação)

Então, a primeira coisa que dá para dizer que vai acontecer quando houver pessoas morando na Lua é que isso tornará a humanidade socialmente mais rica e interessante. O ambiente na superfície é inóspito. Os futuros lunarianos viverão entocados, apenas de vez em quando colocando um traje espacial para caminhar pela superfície e apreciar a vista. As primeiras habitações serão módulos acoplados na superfície e depois recobertos por regolito – os pequenos grãos de solo que recobrem a Lua –, a fim de obter proteção contra radiação e micrometeoritos. Mais tarde, podemos imaginar máquinas escavando túneis no subsolo, criando uma vasta infraestrutura.

Por fim, podemos apostar que a exploração futura da Lua será um empreendimento internacional. Foi-se o tempo em que americanos e russos mantinham o monopólio dos orbitadores e dos módulos de pouso lunares. Em 2003, a ESA (Agência Espacial Europeia) enviou seu primeiro orbitador lunar, a Smart-1. A Jaxa (agência espacial japonesa) enviou o seu, Selene, em 2007, mesmo ano em que os chineses lançaram o deles, Chang’e 1. Em 2008, foi a vez dos indianos, com a Chandrayaan 1. Em 2010, a China voltou à carga com a Chang’e 2 e, em 2013, tornou-se o terceiro país a fazer um pouso suave na Lua, com a Chang’e 3. A ousadia aumentou com a Chang’e 4, que realizou o primeiro pouso suave da história no lado oculto da Lua, em janeiro de 2019.

Não é mais uma corrida entre superpotências; vários países e empresas têm hoje interesse em explorar a Lua.    (SpaceX/Divulgação)    Vamos tirar isto da frente logo de cara: sabemos que o destino de todas as previsões sobre o futuro é errar, e o erro costuma crescer quanto mais tempo tentamos abarcar. Prever que humanos voltarão a visitar a Lua num prazo de dez anos é bem razoável e há pouca chance de estar errado. Mas ir muito além disso torna o esforço cada vez mais inócuo. Ainda assim, vale a pena fazê-lo, porque é assim que o futuro é construído – primeiro com ideias e sonhos, depois com planos e, apenas na última etapa, como realidade.  Eu, por exemplo, já me peguei pensando muitas vezes em como seria jogar futebol na Lua. É, futebol na Lua. Já vimos a tacada de golfe de Alan Shepard na Apollo 14, mas como seria futebol? O campo teria de ser maior? As traves mais altas? A bola mais pesada? O mero fato de a gravidade lunar ser um sexto da terrestre transformaria uma das maiores práticas de entretenimento da Terra em algo muito diferente do que é. Morar em outros mundos necessariamente cria variações culturais, enriquece nosso repertório.    A SpaceX espera viabilizar a construção de uma base lunar como esta com seus veículos Starship-Super Heavy. (SpaceX/Divulgação)    Então, a primeira coisa que dá para dizer que vai acontecer quando houver pessoas morando na Lua é que isso tornará a humanidade socialmente mais rica e interessante. O ambiente na superfície é inóspito. Os futuros lunarianos viverão entocados, apenas de vez em quando colocando um traje espacial para caminhar pela superfície e apreciar a vista. As primeiras habitações serão módulos acoplados na superfície e depois recobertos por regolito – os pequenos grãos de solo que recobrem a Lua –, a fim de obter proteção contra radiação e micrometeoritos. Mais tarde, podemos imaginar máquinas escavando túneis no subsolo, criando uma vasta infraestrutura.    Por fim, podemos apostar que a exploração futura da Lua será um empreendimento internacional. Foi-se o tempo em que americanos e russos mantinham o monopólio dos orbitadores e dos módulos de pouso lunares. Em 2003, a ESA (Agência Espacial Europeia) enviou seu primeiro orbitador lunar, a Smart-1. A Jaxa (agência espacial japonesa) enviou o seu, Selene, em 2007, mesmo ano em que os chineses lançaram o deles, Chang’e 1. Em 2008, foi a vez dos indianos, com a Chandrayaan 1. Em 2010, a China voltou à carga com a Chang’e 2 e, em 2013, tornou-se o terceiro país a fazer um pouso suave na Lua, com a Chang’e 3. A ousadia aumentou com a Chang’e 4, que realizou o primeiro pouso suave da história no lado oculto da Lua, em janeiro de 2019.      Concepção artística de uma habitação em uma “vila lunar”, ideia da Agência Espacial Europeia. (ESA/Divulgação)    O grupo israelense SpaceIL tentou realizar o primeiro pouso privado na Lua, que falhou por pouco em abril. Mas vem mais por aí. Entre países e empresas, podemos esperar espaçonaves indianas, chinesas, alemãs, sul-coreanas, russas, japonesas e até uma brasileira – a Garatéa-L, missão privada coordenada pelo engenheiro espacial Lucas Fonseca. A um custo de US$ 10 milhões, ela deve ir à órbita da Lua no início da próxima década.  Achar que, após a primeira onda, toda essa gente vai perder o interesse é improvável. Os chineses já falam em pouso tripulado ao redor de 2030. Todas essas expedições terão um foco importante em ciência. Mas, se os foguetes de alta capacidade (como o Starship-Super Heavy, da SpaceX) se tornarem uma realidade, não há por que acreditar que as únicas razões para ir à Lua serão científicas. Jeff Bezos acha que o único modo de proteger a Terra é ir levando, ao longo de gerações, toda a indústria pesada para o espaço.  Não dá para imaginar indústrias aproveitando incentivos fiscais para se instalar na Lua nos próximos 50 anos. Mas e nos próximos 100? E nos próximos 500? Quando nos damos conta de que o futuro diante de nós não tem um prazo final, tudo se torna possível. É só a gente querer. Bora bater um futiba lunar?  FONTE: Revista Superinteressante Conteúdo exclusivo para assinantes.... https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-lua/
Concepção artística de uma habitação em uma “vila lunar”, ideia da Agência Espacial Europeia. (ESA/Divulgação)

O grupo israelense SpaceIL tentou realizar o primeiro pouso privado na Lua, que falhou por pouco em abril. Mas vem mais por aí. Entre países e empresas, podemos esperar espaçonaves indianas, chinesas, alemãs, sul-coreanas, russas, japonesas e até uma brasileira – a Garatéa-L, missão privada coordenada pelo engenheiro espacial Lucas Fonseca. A um custo de US$ 10 milhões, ela deve ir à órbita da Lua no início da próxima década.
Achar que, após a primeira onda, toda essa gente vai perder o interesse é improvável. Os chineses já falam em pouso tripulado ao redor de 2030.
Todas essas expedições terão um foco importante em ciência. Mas, se os foguetes de alta capacidade (como o Starship-Super Heavy, da SpaceX) se tornarem uma realidade, não há por que acreditar que as únicas razões para ir à Lua serão científicas. Jeff Bezos acha que o único modo de proteger a Terra é ir levando, ao longo de gerações, toda a indústria pesada para o espaço.
Não dá para imaginar indústrias aproveitando incentivos fiscais para se instalar na Lua nos próximos 50 anos. Mas e nos próximos 100? E nos próximos 500? Quando nos damos conta de que o futuro diante de nós não tem um prazo final, tudo se torna possível. É só a gente querer. Bora bater um futiba lunar?
FONTE: Revista Superinteressante
Conteúdo exclusivo para assinantes....
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mineração de hélio-3 na lua

  USINAS DE HELIO-3  De acordo com Ricardo Galvão, especialista em física de plasmas da Universidade de São Paulo (USP), a energia nuclear pode ser produzida por dois processos, fissão (bomba atômica) e fusão (principal processo através do qual estrelas irradiam energia). Neste último, dois elementos de pequena massa atômica se fundem, resultando em outro de massa atômica maior, mais partículas subatômicas, que podem ser nêutrons ou prótons, e que carregam muita energia.  O exemplo mais comum da fusão é a de dois isótopos do hidrogênio, deutério-trítio, que gera nêutrons como um dos produtos, o que, segundo Galvão, é um dos aspectos negativos desse processo porque além de ser perigoso é menos eficiente.  A grande vantagem da fusão nuclear usando hélio-3 (deutério-hélio-3) é que se trata de reação aneutrônica, sem geração de nêutrons, mas de prótons (partículas eletricamente carregadas que podem ser controladas por campos eletrostáticos). Em termos de geração de energia significa mais eficiência, além de não gerar lixo nuclear. Estima-se um custo de cerca de US$ 6 bilhões para o primeiro protótipo comercial de uma usina nuclear de hélio-3, e, nesse cenário, explica Schmitt, os investimentos compensariam a partir da implantação de cinco usinas de 1000-megawatts trabalhando juntas (o custo do quilowatt-hora US$ 0,05).  Entretanto, a fusão deutério-hélio-3 não é o único tipo de reação aneutrônica. Empresas como a norte-americana Tri Alpha Energy, preocupada com os altos custos de exploração do hélio-3 na lua, concentram-se em alternativas com elementos abundantes na crosta terrestre, como a fusão próton-boro (o boro é abundante na crosta terrestre).  Ambas reações aneutrônicas, no entanto, exigem condições específicas para produzir energia com a mesma eficiência da reação deutério-trítio, pontua Galvão. A fusão do deutério existente em uma banheira cheia de água mais o lítio de uma bateria de laptop, por exemplo, geraria aproximadamente 8% da eletricidade consumida pela cidade de Guarulhos em um ano (200 mil quilowatts-hora).     TRAZENDO HÉLIO-3 DA LUA  O hélio-3 é escasso na Terra porque os ventos solares que carregam o elemento são bloqueados pelo nosso campo magnético, e na atmosfera ele é produzido em pequenas quantidades (bombardeio de raios cósmicos em átomos de hélio-4). Mas na lua, onde o hélio-3 proveniente de ventos solares consegue se fixar, estima-se que a abundância seja tal que um pedaço de solo lunar com área de dois quilômetros quadrados e profundidade de três metros, contenha 100 quilos de hélio-3, de acordo com Shmitt, volume suficiente para abastecer uma usina de fusão 1000-megawatt durante um ano. "Considerando que os foguetes Saturno V, por exemplo, levam uma carga de 50 toneladas, não é inteiramente descabido imaginar colônias lunares para explorar seu solo, extrair hélio-3 e transportá-lo para a Terra, como quer fazer o governo chinês", afirma Galvão.  O grande desafio, segundo Schmitt, será enviar foguetes da Terra para a lua a um custo muito mais baixo do que os que mantêm a Agência Espacial Americana (Nasa), por exemplo. Em 2005, o custo de transporte em um foguete como o Saturno V seria aproximadamente US$ 60 mil por quilo. Uma modernização da Saturno VI dobraria a capacidade de carga e diminuiria custos para US$ 3 mil por quilo (o projeto Saturno começou na década de 1960, com o então presidente Dwight Eisenhower). O professor Ricardo Galvão tem dúvidas e, pessoalmente, considera a empreitada inviável "mesmo considerando a viabilidade dos protótipos reatores deutériohélio-3, é difícil acreditar que haveria interesse em investir em fontes de energia em que o combustível tenha que ser transportado da lua por foguetes!".     TERRA SEM LEI  Schmitt acredita que um grande diferencial dessa corrida é a presença da iniciativa privada. Empresas como a israelense SpaceIL e a norte-americana Moon Express já se mobilizam, demarcando terreno na exploração espacial. Ambas são participantes no Lunar X-Prize, um prêmio de 30 milhões de dólares oferecido pela Google a engenheiros, desenvolvedores e inovadores que desenvolvam tecnologia de exploração espacial mais barata.  Mas será que quem chegar primeiro na lua adquire direito de explorar seus recursos? O Tratado do Espaço Exterior (1967), assinado pela União das Nações Unidas, proíbe explicitamente qualquer nação de ser dona da lua e de explorar seus recursos para obter lucro, mas não diz claramente se isso se estende a indivíduos e companhias privadas.  As tentativas de ratificá-lo nesse sentido levaram ao Tratado da Lua (1984), que proíbe a exploração do espaço, da lua e de outros objetos celestes visando lucro. No entanto, Rússia, Estados Unidos e China se recusaram a assinar o tratado. Enquanto isso, a venda de propriedades na lua existe pelo menos desde 1980, com a organização Lunar Embassy, que se autoproclama líder no mercado de venda de terrenos extraterrestres, com mais de cinco milhões de membros.      Fontes:   Cienc. Cult. vol.68 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2016 http://dx.doi.org/10.21800/2317-66602016000400007   ©  2019  Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ©  Escolas Sem Pátria (Acadêmicos) 2019  Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)    Mineração de hélio-3 na lua    Aspirações de poder político e econômico, crescimento populacional, efeitos adversos causados por mudanças climáticas são alguns dos fatores que o ex-astronauta norte-americano Harrison Schmitt aponta como definitivos para a busca de fontes alternativas de energia. Para ele, que foi membro da Apollo 17 (1972), energia é o cerne da segunda corrida espacial, da qual participam países em desenvolvimento como Índia e China, com um elemento novo: as empresas privadas.  Para Schmitt, autor do livro Return to the moon: exploration, enterprise and energy in the human settlement of space (2006), a expectativa é que, nos próximos 50 anos, países como a China - onde 3/4 da energia consumida vem de usinas de carvão -, a demanda de energia aumente quatro vezes.  A China tem planos ambiciosos para a exploração do espaço, incluindo a comercialização de recursos da lua como gelo, metais preciosos e grandes reservas de hélio-3, um gás raro no planeta Terra, que pode ser utilizado para produzir energia limpa em usinas de fusão nuclear. A eletricidade produzida em usinas termonucleares à hélio-3 representaria uma solução para possíveis crises de energia, já que 40 gramas de hélio-3 substituem cinco mil toneladas de carvão em termos de energia (dados The New Citizen, março de 2016).  Mas, como aponta Schmitt, para se tornar comercializável, a energia elétrica gerada por fusão do hélio-3 precisaria baratear muito. Qual seria a vantagem dos reatores de fusão à hélio-3 em relação a outros processos? Valeria realmente à pena ir até a lua buscar esse elemento raro no planeta Terra? E, quanto à exploração desse recurso na lua, quem chegar primeiro leva?      USINAS DE HELIO-3    De acordo com Ricardo Galvão, especialista em física de plasmas da Universidade de São Paulo (USP), a energia nuclear pode ser produzida por dois processos, fissão (bomba atômica) e fusão (principal processo através do qual estrelas irradiam energia). Neste último, dois elementos de pequena massa atômica se fundem, resultando em outro de massa atômica maior, mais partículas subatômicas, que podem ser nêutrons ou prótons, e que carregam muita energia.  O exemplo mais comum da fusão é a de dois isótopos do hidrogênio, deutério-trítio, que gera nêutrons como um dos produtos, o que, segundo Galvão, é um dos aspectos negativos desse processo porque além de ser perigoso é menos eficiente.  A grande vantagem da fusão nuclear usando hélio-3 (deutério-hélio-3) é que se trata de reação aneutrônica, sem geração de nêutrons, mas de prótons (partículas eletricamente carregadas que podem ser controladas por campos eletrostáticos). Em termos de geração de energia significa mais eficiência, além de não gerar lixo nuclear. Estima-se um custo de cerca de US$ 6 bilhões para o primeiro protótipo comercial de uma usina nuclear de hélio-3, e, nesse cenário, explica Schmitt, os investimentos compensariam a partir da implantação de cinco usinas de 1000-megawatts trabalhando juntas (o custo do quilowatt-hora US$ 0,05).  Entretanto, a fusão deutério-hélio-3 não é o único tipo de reação aneutrônica. Empresas como a norte-americana Tri Alpha Energy, preocupada com os altos custos de exploração do hélio-3 na lua, concentram-se em alternativas com elementos abundantes na crosta terrestre, como a fusão próton-boro (o boro é abundante na crosta terrestre).  Ambas reações aneutrônicas, no entanto, exigem condições específicas para produzir energia com a mesma eficiência da reação deutério-trítio, pontua Galvão. A fusão do deutério existente em uma banheira cheia de água mais o lítio de uma bateria de laptop, por exemplo, geraria aproximadamente 8% da eletricidade consumida pela cidade de Guarulhos em um ano (200 mil quilowatts-hora).    TRAZENDO HÉLIO-3 DA LUA    O hélio-3 é escasso na Terra porque os ventos solares que carregam o elemento são bloqueados pelo nosso campo magnético, e na atmosfera ele é produzido em pequenas quantidades (bombardeio de raios cósmicos em átomos de hélio-4). Mas na lua, onde o hélio-3 proveniente de ventos solares consegue se fixar, estima-se que a abundância seja tal que um pedaço de solo lunar com área de dois quilômetros quadrados e profundidade de três metros, contenha 100 quilos de hélio-3, de acordo com Shmitt, volume suficiente para abastecer uma usina de fusão 1000-megawatt durante um ano. "Considerando que os foguetes Saturno V, por exemplo, levam uma carga de 50 toneladas, não é inteiramente descabido imaginar colônias lunares para explorar seu solo, extrair hélio-3 e transportá-lo para a Terra, como quer fazer o governo chinês", afirma Galvão.  O grande desafio, segundo Schmitt, será enviar foguetes da Terra para a lua a um custo muito mais baixo do que os que mantêm a Agência Espacial Americana (Nasa), por exemplo. Em 2005, o custo de transporte em um foguete como o Saturno V seria aproximadamente US$ 60 mil por quilo. Uma modernização da Saturno VI dobraria a capacidade de carga e diminuiria custos para US$ 3 mil por quilo (o projeto Saturno começou na década de 1960, com o então presidente Dwight Eisenhower). O professor Ricardo Galvão tem dúvidas e, pessoalmente, considera a empreitada inviável "mesmo considerando a viabilidade dos protótipos reatores deutériohélio-3, é difícil acreditar que haveria interesse em investir em fontes de energia em que o combustível tenha que ser transportado da lua por foguetes!".    TERRA SEM LEI    Schmitt acredita que um grande diferencial dessa corrida é a presença da iniciativa privada. Empresas como a israelense SpaceIL e a norte-americana Moon Express já se mobilizam, demarcando terreno na exploração espacial. Ambas são participantes no Lunar X-Prize, um prêmio de 30 milhões de dólares oferecido pela Google a engenheiros, desenvolvedores e inovadores que desenvolvam tecnologia de exploração espacial mais barata.  Mas será que quem chegar primeiro na lua adquire direito de explorar seus recursos? O Tratado do Espaço Exterior (1967), assinado pela União das Nações Unidas, proíbe explicitamente qualquer nação de ser dona da lua e de explorar seus recursos para obter lucro, mas não diz claramente se isso se estende a indivíduos e companhias privadas.  As tentativas de ratificá-lo nesse sentido levaram ao Tratado da Lua (1984), que proíbe a exploração do espaço, da lua e de outros objetos celestes visando lucro. No entanto, Rússia, Estados Unidos e China se recusaram a assinar o tratado. Enquanto isso, a venda de propriedades na lua existe pelo menos desde 1980, com a organização Lunar Embassy, que se autoproclama líder no mercado de venda de terrenos extraterrestres, com mais de cinco milhões de membros.      Fontes:   Cienc. Cult. vol.68 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2016 http://dx.doi.org/10.21800/2317-66602016000400007    ©  2019  Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência  ©  Escolas Sem Pátria (Acadêmicos) 2019    Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Mineração de hélio-3 na lua

Aspirações de poder político e econômico, crescimento populacional, efeitos adversos causados por mudanças climáticas são alguns dos fatores que o ex-astronauta norte-americano Harrison Schmitt aponta como definitivos para a busca de fontes alternativas de energia. Para ele, que foi membro da Apollo 17 (1972), energia é o cerne da segunda corrida espacial, da qual participam países em desenvolvimento como Índia e China, com um elemento novo: as empresas privadas.
Para Schmitt, autor do livro Return to the moon: exploration, enterprise and energy in the human settlement of space (2006), a expectativa é que, nos próximos 50 anos, países como a China - onde 3/4 da energia consumida vem de usinas de carvão -, a demanda de energia aumente quatro vezes.
A China tem planos ambiciosos para a exploração do espaço, incluindo a comercialização de recursos da lua como gelo, metais preciosos e grandes reservas de hélio-3, um gás raro no planeta Terra, que pode ser utilizado para produzir energia limpa em usinas de fusão nuclear. A eletricidade produzida em usinas termonucleares à hélio-3 representaria uma solução para possíveis crises de energia, já que 40 gramas de hélio-3 substituem cinco mil toneladas de carvão em termos de energia (dados The New Citizen, março de 2016).
Mas, como aponta Schmitt, para se tornar comercializável, a energia elétrica gerada por fusão do hélio-3 precisaria baratear muito. Qual seria a vantagem dos reatores de fusão à hélio-3 em relação a outros processos? Valeria realmente à pena ir até a lua buscar esse elemento raro no planeta Terra? E, quanto à exploração desse recurso na lua, quem chegar primeiro leva?


USINAS DE HELIO-3

De acordo com Ricardo Galvão, especialista em física de plasmas da Universidade de São Paulo (USP), a energia nuclear pode ser produzida por dois processos, fissão (bomba atômica) e fusão (principal processo através do qual estrelas irradiam energia). Neste último, dois elementos de pequena massa atômica se fundem, resultando em outro de massa atômica maior, mais partículas subatômicas, que podem ser nêutrons ou prótons, e que carregam muita energia.
O exemplo mais comum da fusão é a de dois isótopos do hidrogênio, deutério-trítio, que gera nêutrons como um dos produtos, o que, segundo Galvão, é um dos aspectos negativos desse processo porque além de ser perigoso é menos eficiente.
A grande vantagem da fusão nuclear usando hélio-3 (deutério-hélio-3) é que se trata de reação aneutrônica, sem geração de nêutrons, mas de prótons (partículas eletricamente carregadas que podem ser controladas por campos eletrostáticos). Em termos de geração de energia significa mais eficiência, além de não gerar lixo nuclear. Estima-se um custo de cerca de US$ 6 bilhões para o primeiro protótipo comercial de uma usina nuclear de hélio-3, e, nesse cenário, explica Schmitt, os investimentos compensariam a partir da implantação de cinco usinas de 1000-megawatts trabalhando juntas (o custo do quilowatt-hora US$ 0,05).
Entretanto, a fusão deutério-hélio-3 não é o único tipo de reação aneutrônica. Empresas como a norte-americana Tri Alpha Energy, preocupada com os altos custos de exploração do hélio-3 na lua, concentram-se em alternativas com elementos abundantes na crosta terrestre, como a fusão próton-boro (o boro é abundante na crosta terrestre).
Ambas reações aneutrônicas, no entanto, exigem condições específicas para produzir energia com a mesma eficiência da reação deutério-trítio, pontua Galvão. A fusão do deutério existente em uma banheira cheia de água mais o lítio de uma bateria de laptop, por exemplo, geraria aproximadamente 8% da eletricidade consumida pela cidade de Guarulhos em um ano (200 mil quilowatts-hora).

TRAZENDO HÉLIO-3 DA LUA

O hélio-3 é escasso na Terra porque os ventos solares que carregam o elemento são bloqueados pelo nosso campo magnético, e na atmosfera ele é produzido em pequenas quantidades (bombardeio de raios cósmicos em átomos de hélio-4). Mas na lua, onde o hélio-3 proveniente de ventos solares consegue se fixar, estima-se que a abundância seja tal que um pedaço de solo lunar com área de dois quilômetros quadrados e profundidade de três metros, contenha 100 quilos de hélio-3, de acordo com Shmitt, volume suficiente para abastecer uma usina de fusão 1000-megawatt durante um ano. "Considerando que os foguetes Saturno V, por exemplo, levam uma carga de 50 toneladas, não é inteiramente descabido imaginar colônias lunares para explorar seu solo, extrair hélio-3 e transportá-lo para a Terra, como quer fazer o governo chinês", afirma Galvão.
O grande desafio, segundo Schmitt, será enviar foguetes da Terra para a lua a um custo muito mais baixo do que os que mantêm a Agência Espacial Americana (Nasa), por exemplo. Em 2005, o custo de transporte em um foguete como o Saturno V seria aproximadamente US$ 60 mil por quilo. Uma modernização da Saturno VI dobraria a capacidade de carga e diminuiria custos para US$ 3 mil por quilo (o projeto Saturno começou na década de 1960, com o então presidente Dwight Eisenhower). O professor Ricardo Galvão tem dúvidas e, pessoalmente, considera a empreitada inviável "mesmo considerando a viabilidade dos protótipos reatores deutériohélio-3, é difícil acreditar que haveria interesse em investir em fontes de energia em que o combustível tenha que ser transportado da lua por foguetes!".

TERRA SEM LEI

Schmitt acredita que um grande diferencial dessa corrida é a presença da iniciativa privada. Empresas como a israelense SpaceIL e a norte-americana Moon Express já se mobilizam, demarcando terreno na exploração espacial. Ambas são participantes no Lunar X-Prize, um prêmio de 30 milhões de dólares oferecido pela Google a engenheiros, desenvolvedores e inovadores que desenvolvam tecnologia de exploração espacial mais barata.
Mas será que quem chegar primeiro na lua adquire direito de explorar seus recursos? O Tratado do Espaço Exterior (1967), assinado pela União das Nações Unidas, proíbe explicitamente qualquer nação de ser dona da lua e de explorar seus recursos para obter lucro, mas não diz claramente se isso se estende a indivíduos e companhias privadas.
As tentativas de ratificá-lo nesse sentido levaram ao Tratado da Lua (1984), que proíbe a exploração do espaço, da lua e de outros objetos celestes visando lucro. No entanto, Rússia, Estados Unidos e China se recusaram a assinar o tratado. Enquanto isso, a venda de propriedades na lua existe pelo menos desde 1980, com a organização Lunar Embassy, que se autoproclama líder no mercado de venda de terrenos extraterrestres, com mais de cinco milhões de membros.


Fontes: 

Cienc. Cult. vol.68 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2016

http://dx.doi.org/10.21800/2317-66602016000400007 


©  2019  Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
©  Escolas Sem Pátria (Acadêmicos) 2019

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

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domingo, 25 de agosto de 2019

O que são buracos negros

 Numa abordagem da física clássica, buracos negros são objetos celestes com massa muito grande - alguns deles com centenas de vezes a massa do Sol - que ocupam um espaço muito pequeno.  Seu campo gravitacional é tão intenso que nem mesmo a velocidade da luz é maior do que a sua velocidade de escape.  Com isto, a luz que entra em um buraco negro não pode mais sair, fazendo com que este não possa ser observado pelas técnicas usuais que analisam a luz emitida ou refletida pelos objetos celestes.      E o que é velocidade de escape? Chamamos de velocidade de escape aquela cuja intensidade é suficiente para que um objeto possa “escapar” da atuação do campo gravitacional. A velocidade de escape na superfície de Terra é de aproximadamente 11,2 km/s; para que um objeto possa se libertar da atuação da gravidade de nosso planeta, precisa ser lançado com velocidade maior que esta.  Se um buraco negro não pode ser visto, como ele é detectado? A observação de um buraco negro acontece de forma indireta, pois o que se pode ver são os efeitos que ele causa nas regiões próximas. Devido ao seu imenso campo gravitacional, os outros corpos tendem a ser atraídos por ele. Medindo a velocidade com que os objetos se deslocam em sua direção nas regiões vizinhas é possível descobrir sua massa.  Quando um buraco negro absorve matéria dos corpos que estão próximos, esta matéria vai sendo comprimida, esquenta significativamente e emite grande quantidade de radiação em raios-X. As primeiras detecções dos buracos negros foram feitas com sensores que captavam esta emissão de raio-X.                                                    Já foram observados fortes indícios de que existam buracos negros supermassivos no centro de algumas galáxias espirais, inclusive alguns cientistas acreditam que exista um destes buracos negros no centro de nossa galáxia, a Via Láctea.


Numa abordagem da física clássica, buracos negros são objetos celestes com massa muito grande - alguns deles com centenas de vezes a massa do Sol - que ocupam um espaço muito pequeno.
Seu campo gravitacional é tão intenso que nem mesmo a velocidade da luz é maior do que a sua velocidade de escape.
Com isto, a luz que entra em um buraco negro não pode mais sair, fazendo com que este não possa ser observado pelas técnicas usuais que analisam a luz emitida ou refletida pelos objetos celestes.


E o que é velocidade de escape?

Chamamos de velocidade de escape aquela cuja intensidade é suficiente para que um objeto possa “escapar” da atuação do campo gravitacional. A velocidade de escape na superfície de Terra é de aproximadamente 11,2 km/s; para que um objeto possa se libertar da atuação da gravidade de nosso planeta, precisa ser lançado com velocidade maior que esta.

Se um buraco negro não pode ser visto, como ele é detectado?

A observação de um buraco negro acontece de forma indireta, pois o que se pode ver são os efeitos que ele causa nas regiões próximas. Devido ao seu imenso campo gravitacional, os outros corpos tendem a ser atraídos por ele. Medindo a velocidade com que os objetos se deslocam em sua direção nas regiões vizinhas é possível descobrir sua massa.
Quando um buraco negro absorve matéria dos corpos que estão próximos, esta matéria vai sendo comprimida, esquenta significativamente e emite grande quantidade de radiação em raios-X. As primeiras detecções dos buracos negros foram feitas com sensores que captavam esta emissão de raio-X. 

                                            Numa abordagem da física clássica, buracos negros são objetos celestes com massa muito grande - alguns deles com centenas de vezes a massa do Sol - que ocupam um espaço muito pequeno.  Seu campo gravitacional é tão intenso que nem mesmo a velocidade da luz é maior do que a sua velocidade de escape.  Com isto, a luz que entra em um buraco negro não pode mais sair, fazendo com que este não possa ser observado pelas técnicas usuais que analisam a luz emitida ou refletida pelos objetos celestes.      E o que é velocidade de escape? Chamamos de velocidade de escape aquela cuja intensidade é suficiente para que um objeto possa “escapar” da atuação do campo gravitacional. A velocidade de escape na superfície de Terra é de aproximadamente 11,2 km/s; para que um objeto possa se libertar da atuação da gravidade de nosso planeta, precisa ser lançado com velocidade maior que esta.  Se um buraco negro não pode ser visto, como ele é detectado? A observação de um buraco negro acontece de forma indireta, pois o que se pode ver são os efeitos que ele causa nas regiões próximas. Devido ao seu imenso campo gravitacional, os outros corpos tendem a ser atraídos por ele. Medindo a velocidade com que os objetos se deslocam em sua direção nas regiões vizinhas é possível descobrir sua massa.  Quando um buraco negro absorve matéria dos corpos que estão próximos, esta matéria vai sendo comprimida, esquenta significativamente e emite grande quantidade de radiação em raios-X. As primeiras detecções dos buracos negros foram feitas com sensores que captavam esta emissão de raio-X.                                                    Já foram observados fortes indícios de que existam buracos negros supermassivos no centro de algumas galáxias espirais, inclusive alguns cientistas acreditam que exista um destes buracos negros no centro de nossa galáxia, a Via Láctea.

Já foram observados fortes indícios de que existam buracos negros supermassivos no centro de algumas galáxias espirais, inclusive alguns cientistas acreditam que exista um destes buracos negros no centro de nossa galáxia, a Via Láctea.


O que são buracos negros" em Só Física. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 25/08/2019 às 23:16. Disponível na Internet em http://www.sofisica.com.br/conteudos/curiosidades/buracosnegros.php

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