domingo, 17 de julho de 2016

Planta presente no Brasil é capaz de colonizar áreas desmatadas

Miconia affinis, conhecida no Brasil como jacatira-branca, pode ser priorizada em programas de restauração de florestas tropicais desmatadas
As espécies de árvores nativas pioneiras – que têm capacidade de colonizar ambientes degradados em razão de sua alta capacidade reprodutiva e crescimento rápido, entre outras características – têm sido priorizadas em programas de restauração de florestas tropicais desmatadas. O pesquisador Rodolfo Jaffé, do Instituto Tecnológico Vale (ITV), realizou pós-doutorado no Instituto de Biociências (IB) da USP, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), onde estudou os padrões de diversidade e diferenciação genética da espécie de árvore nativa pioneira Miconia affinis (conhecida popularmente no Brasil como jacatira-branca), que ocorre na região do Canal do Panamá, na América Central. O trabalho foi realizado em parceria com colegas da University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos, onde fez um estágio de pesquisa também com bolsa da Fapesp.  Os resultados do estudo foram descritos em um artigo publicado na revista PLoS One. “A região do Canal do Panamá, que é um hotspot de biodiversidade global, perdeu em torno de 30% das suas florestas nos últimos 50 anos em razão do avanço da agropecuária, e isso tem resultado em uma forte erosão e em um acúmulo muito grande de sedimentos nos córregos e canais, influenciando negativamente todo a bacia e o sistema hídrico da região”, afirmou Jaffé à Agência Fapesp. “Por isso, o governo do país tem interesse em recuperar as áreas desmatadas para diminuir a erosão e o acúmulo de sedimentos no Canal, e as espécies de árvores nativas pioneiras presentes na região seriam boas candidatas para serem usadas em programas de restauração.”  A fim de avaliar se áreas desmatadas constituem uma barreira para as populações dessa espécie de árvore, que mede entre 3 e 6 metros de altura e está amplamente distribuída na região neotropical (que vai desde o México ao Brasil), os pesquisadores coletaram folhas de cerca de 30 árvores em período de inflorescência e infrutescência de 11 populações diferentes, espalhadas pela região do Canal do Panamá. Em seguida, extraíram o DNA das folhas e utilizaram marcadores moleculares microssatélites – pequenas regiões do DNA, que variam de um indivíduo para outro – para obter uma assinatura genética (genótipo) de cada uma delas.  Por meio de mapas de alta resolução da cobertura florestal e elevações da região do Canal do Panamá, além de ferramentas de genética da paisagem, eles avaliaram a influência de fatores como a distância geográfica, a altitude e o desmatamento sobre a estrutura e a diversidade genética dessas populações de árvores. Os resultados das análises estatísticas indicaram que a diferenciação genética dessa espécie de árvore que geralmente coloniza clareiras, áreas ciliares e encostas expostas, aumentou significativamente de acordo com a altitude e a distância geográfica entre as populações.  Diferenciação genética “Isso quer dizer que, quanto mais afastadas, mais diferenciadas geneticamente são as populações dessa espécie de planta, e quanto mais próximas, mais parecidas são geneticamente. Esse padrão, chamado de isolamento por distância, é esperado para a maioria das populações de plantas”, afirmou Jaffé. As análises também indicaram que a Miconia affinis apresenta níveis mais elevados de diversidade genética intrapopulacional e menores níveis entre populações do que muitas espécies de plantas pioneiras.  Curiosamente, o nível de diferenciação genética entre populações da planta, que, no Brasil, ocorre na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia, foi menor do que a média relatada para árvores tropicais, mas semelhante ao de espécies tropicais pioneiras com dispersão mediada pelo vento, apontaram os pesquisadores. “Esse alto nível de diversidade genética e baixo nível de diferenciação genética entre as populações da planta é devido, provavelmente, à propensão das espécies para colonizar paisagens recentemente desmatadas, levando a um aumento na conectividade entre as populações em toda a região.”  Os pesquisadores também constataram que a elevação influencia a diferenciação genética em populações da planta. As populações localizadas em pontos mais altos são geneticamente mais diferenciadas do que as situadas em lugares com altitude menor, independentemente da distância que as separam, contou Jaffé. “Uma das razões para isso é que a temperatura mais baixa e a maior precipitação em locais de alta altitude, em comparação com locais de baixa altitude, podem afetar o trabalho dos polinizadores e dos dispersores de sementes dessa espécie de planta.”  A Miconia affinis é visitada por uma grande diversidade de abelhas sociais e solitárias, e as sementes de seus frutos são dispersas por uma variedade de espécies de pássaros, morcegos e macacos. A temperatura mais baixa e a maior precipitação em locais mais elevados podem afetar as condições de voo dos insetos e diminuir a abundância de polinizadores nessas regiões. Temperatura e precipitação também fazem com que a floração das plantas aconteça antes da que ocorre em locais com mais baixas altitudes, apontou o pesquisador.  Polinizadores “Isso faz com que os polinizadores fiquem só no lugar onde ocorre a floração primeiro e que não visitem as populações de plantas localizadas em locais mais baixos, onde ainda não há flor. E essa diferença na fenologia [floração das plantas] pode influenciar suas estruturas genéticas”, afirmou. Os pesquisadores não encontraram evidências do efeito do desmatamento sobre a diferenciação genética de populações da planta.  Uma das hipóteses levantadas por eles é que a alta capacidade de dispersão e colonização dessa espécie de planta promove o fluxo de genes da árvore em toda a região do Canal do Panamá, independentemente da cobertura florestal. “As populações dessa espécie conseguem manter fluxo genético mesmo através de áreas desmatadas”, disse Jaffé. “Os polinizadores e dispersores de sementes conseguem visitar as plantas, atravessar áreas desmatadas e polinizar as plantas de populações situadas em outros locais.”  Os pesquisadores também observaram que essa espécie de planta, que vive em média 64,3 anos e gera sementes pela primeira vez em seis anos, também em média, é capaz de manter alta diversidade genética, independentemente da quantidade de floresta que a circunda. “Esse conjunto de características torna a Miconia affinis uma ótima candidata para ser usada em programas de reflorestamento”, concluiu Jaffé.  O artigo Elevation, not deforestation, promotes genetic differentiation in a pioneer tropical tree, de Rodolfo Jaffé e outros, pode ser lido na revista PLoS One neste link.
Miconia affinis mantém alta diversidade e fluxo genético entre fragmentos florestais – Foto: Antonio R. Castilla

As espécies de árvores nativas pioneiras – que têm capacidade de colonizar ambientes degradados em razão de sua alta capacidade reprodutiva e crescimento rápido, entre outras características – têm sido priorizadas em programas de restauração de florestas tropicais desmatadas. O pesquisador Rodolfo Jaffé, do Instituto Tecnológico Vale (ITV), realizou pós-doutorado no Instituto de Biociências (IB) da USP, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), onde estudou os padrões de diversidade e diferenciação genética da espécie de árvore nativa pioneiraMiconia affinis (conhecida popularmente no Brasil como jacatira-branca), que ocorre na região do Canal do Panamá, na América Central. O trabalho foi realizado em parceria com colegas da University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos, onde fez um estágio de pesquisa também com bolsa da Fapesp.
Os resultados do estudo foram descritos em um artigo publicado na revista PLoS One. “A região do Canal do Panamá, que é um hotspot de biodiversidade global, perdeu em torno de 30% das suas florestas nos últimos 50 anos em razão do avanço da agropecuária, e isso tem resultado em uma forte erosão e em um acúmulo muito grande de sedimentos nos córregos e canais, influenciando negativamente todo a bacia e o sistema hídrico da região”, afirmou Jaffé à Agência Fapesp. “Por isso, o governo do país tem interesse em recuperar as áreas desmatadas para diminuir a erosão e o acúmulo de sedimentos no Canal, e as espécies de árvores nativas pioneiras presentes na região seriam boas candidatas para serem usadas em programas de restauração.”
A fim de avaliar se áreas desmatadas constituem uma barreira para as populações dessa espécie de árvore, que mede entre 3 e 6 metros de altura e está amplamente distribuída na região neotropical (que vai desde o México ao Brasil), os pesquisadores coletaram folhas de cerca de 30 árvores em período de inflorescência e infrutescência de 11 populações diferentes, espalhadas pela região do Canal do Panamá. Em seguida, extraíram o DNA das folhas e utilizaram marcadores moleculares microssatélites – pequenas regiões do DNA, que variam de um indivíduo para outro – para obter uma assinatura genética (genótipo) de cada uma delas.
Por meio de mapas de alta resolução da cobertura florestal e elevações da região do Canal do Panamá, além de ferramentas de genética da paisagem, eles avaliaram a influência de fatores como a distância geográfica, a altitude e o desmatamento sobre a estrutura e a diversidade genética dessas populações de árvores. Os resultados das análises estatísticas indicaram que a diferenciação genética dessa espécie de árvore que geralmente coloniza clareiras, áreas ciliares e encostas expostas, aumentou significativamente de acordo com a altitude e a distância geográfica entre as populações.
Diferenciação genética
“Isso quer dizer que, quanto mais afastadas, mais diferenciadas geneticamente são as populações dessa espécie de planta, e quanto mais próximas, mais parecidas são geneticamente. Esse padrão, chamado de isolamento por distância, é esperado para a maioria das populações de plantas”, afirmou Jaffé. As análises também indicaram que a Miconia affinis apresenta níveis mais elevados de diversidade genética intrapopulacional e menores níveis entre populações do que muitas espécies de plantas pioneiras.
Curiosamente, o nível de diferenciação genética entre populações da planta, que, no Brasil, ocorre na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia, foi menor do que a média relatada para árvores tropicais, mas semelhante ao de espécies tropicais pioneiras com dispersão mediada pelo vento, apontaram os pesquisadores. “Esse alto nível de diversidade genética e baixo nível de diferenciação genética entre as populações da planta é devido, provavelmente, à propensão das espécies para colonizar paisagens recentemente desmatadas, levando a um aumento na conectividade entre as populações em toda a região.”
Os pesquisadores também constataram que a elevação influencia a diferenciação genética em populações da planta. As populações localizadas em pontos mais altos são geneticamente mais diferenciadas do que as situadas em lugares com altitude menor, independentemente da distância que as separam, contou Jaffé. “Uma das razões para isso é que a temperatura mais baixa e a maior precipitação em locais de alta altitude, em comparação com locais de baixa altitude, podem afetar o trabalho dos polinizadores e dos dispersores de sementes dessa espécie de planta.”
Miconia affinis é visitada por uma grande diversidade de abelhas sociais e solitárias, e as sementes de seus frutos são dispersas por uma variedade de espécies de pássaros, morcegos e macacos. A temperatura mais baixa e a maior precipitação em locais mais elevados podem afetar as condições de voo dos insetos e diminuir a abundância de polinizadores nessas regiões. Temperatura e precipitação também fazem com que a floração das plantas aconteça antes da que ocorre em locais com mais baixas altitudes, apontou o pesquisador.
Polinizadores
“Isso faz com que os polinizadores fiquem só no lugar onde ocorre a floração primeiro e que não visitem as populações de plantas localizadas em locais mais baixos, onde ainda não há flor. E essa diferença na fenologia [floração das plantas] pode influenciar suas estruturas genéticas”, afirmou. Os pesquisadores não encontraram evidências do efeito do desmatamento sobre a diferenciação genética de populações da planta.
Uma das hipóteses levantadas por eles é que a alta capacidade de dispersão e colonização dessa espécie de planta promove o fluxo de genes da árvore em toda a região do Canal do Panamá, independentemente da cobertura florestal. “As populações dessa espécie conseguem manter fluxo genético mesmo através de áreas desmatadas”, disse Jaffé. “Os polinizadores e dispersores de sementes conseguem visitar as plantas, atravessar áreas desmatadas e polinizar as plantas de populações situadas em outros locais.”
Os pesquisadores também observaram que essa espécie de planta, que vive em média 64,3 anos e gera sementes pela primeira vez em seis anos, também em média, é capaz de manter alta diversidade genética, independentemente da quantidade de floresta que a circunda. “Esse conjunto de características torna a Miconia affinis uma ótima candidata para ser usada em programas de reflorestamento”, concluiu Jaffé.
O artigo Elevation, not deforestation, promotes genetic differentiation in a pioneer tropical tree, de Rodolfo Jaffé e outros, pode ser lido na revista PLoS One neste link.
Fonte:  Agência Fapesp

terça-feira, 12 de julho de 2016

China conclui construção do maior radiotelescópio do mundo

 [Imagem: Xin Ling] Antenado com o espaço  O maior radiotelescópio do mundo está prestes a entrar em funcionamento.  A última peça do Telescópio de Abertura Esférica de 500 metros (ou FAST, na sigla em inglês), foi instalada e o aparelho começará a ser testados com vistas ao início do funcionamento, previsto para setembro.  O radiotelescópio tem o tamanho de 30 campos de futebol (500 metros de diâmetro), sendo o maior do mundo. Ele tomou o posto do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, que mede 300 metros de diâmetro. Sua construção custou US$ 180 milhões.  Com ele, os astrônomos chineses pretendem explorar o espaço em busca de vida extraterrestre.  O subdiretor nacional de Observação Astronômica da Academia Chinesa de Ciências, Zheng Ziaonian, anunciou que, a partir de agora, os cientistas começam o processo de testes para detectar e corrigir problemas no telescópio.  O FAST fica na Província de Guizhou, sudoeste da China, uma área favorável para a atividade de pesquisa astronômica porque o relevo dos arredores do radiotelescópio o protege naturalmente de perturbações eletromagnéticas.  Ele será usado para tentar descobrir a existência de hidrogênio neutro em galáxias distantes e também pulsares distantes. Além disso, o radiotelescópio também aumenta a possibilidade de detectar ondas gravitacionais de baixa frequência.
[Imagem: Xin Ling]
Antenado com o espaço
O maior radiotelescópio do mundo está prestes a entrar em funcionamento.
A última peça do Telescópio de Abertura Esférica de 500 metros (ou FAST, na sigla em inglês), foi instalada e o aparelho começará a ser testados com vistas ao início do funcionamento, previsto para setembro.
O radiotelescópio tem o tamanho de 30 campos de futebol (500 metros de diâmetro), sendo o maior do mundo. Ele tomou o posto do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, que mede 300 metros de diâmetro. Sua construção custou US$ 180 milhões.
Com ele, os astrônomos chineses pretendem explorar o espaço em busca de vida extraterrestre.
O subdiretor nacional de Observação Astronômica da Academia Chinesa de Ciências, Zheng Ziaonian, anunciou que, a partir de agora, os cientistas começam o processo de testes para detectar e corrigir problemas no telescópio.
O FAST fica na Província de Guizhou, sudoeste da China, uma área favorável para a atividade de pesquisa astronômica porque o relevo dos arredores do radiotelescópio o protege naturalmente de perturbações eletromagnéticas.
Ele será usado para tentar descobrir a existência de hidrogênio neutro em galáxias distantes e também pulsares distantes. Além disso, o radiotelescópio também aumenta a possibilidade de detectar ondas gravitacionais de baixa frequência.
Fonte: BBC

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Criado primeiro compilador para computadores analógicos

 O processador analógico resolve naturalmente as equações diferenciais que os biólogos usam para descrever a dinâmica dos seres vivos. [Imagem: Jose-Luis Olivares/MIT]  Compilador analógico  Os processadores analógicos podem ter vantagens em várias áreas em relação aos processadores digitais, como imitar o cérebro, por exemplo.  O grande problema é programá-los.  Um problema que agora começa a se tornar menor, graças a um compilador para computadores analógicos, um programa que traduz instruções de alto nível, escritas em uma linguagem compreensível para os seres humanos - as bem conhecidas linguagens de programação - para as especificações de baixo nível dos componentes do circuito analógico - a também bem conhecida linguagem de máquina.  Transístor analógico  Um transístor, um componente concebido em termos digitais, tem dois estados: ligado e desligado, que podem representar os 0s e 1s da aritmética binária.  Em termos analógicos, contudo, um transistor tem um número infinito de tensões, o que poderia, em princípio, representar uma gama infinita de valores matemáticos. A computação digital, com todas as suas vantagens, traça uma linha "no meio" desses valores, estabelecendo um limite para o que significa ligado e desligado, e deixa de lado toda a potencialidade informacional das demais tensões.  Inúmeros experimentos já comprovaram que os computadores analógicos são muito mais eficientes na simulação de sistemas biológicos do que os computadores digitais, já que tudo na natureza é tipicamente analógico. Mas esses protótipos precisam ser programados manualmente, um processo complexo que seria proibitivamente demorado para aplicações em grande escala - seria um pouco mais complexo do que fazer todos os programas dos computadores digitais em linguagem Assembly.  Desta forma, o novo compilador abre o caminho para aplicações analógicas como a simulação de alta eficiência e de alta precisão de órgãos biológicos inteiros - eventualmente até mesmo de organismos inteiros.   O grande interesse nos processadores analógicos está na simulação do funcionamento de organismos vivos - que são tipicamente analógicos. [Imagem: Christine Daniloff] Equações diferenciais  O compilador analógico recebe como entrada equações diferenciais que os biólogos usam para descrever a dinâmica celular, e as traduz em tensões e correntes que fluem através de um processador analógico.  Em princípio o compilador é genérico, funcionando com qualquer chip analógico programável que disponha de uma especificação técnica detalhada, mas os experimentos iniciais foram feitos em um chip analógico desenvolvido pela própria equipe há alguns anos e que vem sendo aprimorado desde então.  O compilador foi testado em cinco conjuntos de equações diferenciais frequentemente utilizados em pesquisa biológica. No conjunto de teste mais simples, com apenas quatro equações, o compilador levou menos de um minuto para gerar uma implementação analógica; no mais complicado, com 75 equações diferenciais, ele levou perto de uma hora. Mas projetar uma aplicação similar à mão levaria de semanas a meses.  Como funciona um processador analógico  De acordo com as leis da física, as tensões e correntes em um circuito analógico precisam se equilibrar. Se essas tensões e correntes codificam variáveis em um conjunto de equações diferenciais, então variar uma irá automaticamente variar as outras. Se as equações descrevem alterações de uma concentração química ao longo do tempo, por exemplo, então fazer variar as entradas ao longo do tempo resultará em uma solução completa para o conjunto completo de equações.  Um circuito digital, por outro lado, precisa fatiar o tempo em milhares ou mesmo milhões de pequenos intervalos e resolver o conjunto completo de equações para cada um deles. E cada transístor no circuito pode representar apenas um de dois valores, em vez de uma faixa contínua de valores.  "Com poucos transistores, circuitos analógicos citomórficos podem resolver equações diferenciais complexas - incluindo os efeitos do ruído - que exigiriam milhões de transistores digitais e milhões de ciclos de relógio digitais," disse o professor Rahul Sarpeshkar, que construiu o compilador analógico juntamente com Sara Achour e Martin Rinard, todos do MIT, nos EUA.  É curioso que o compilador para processadores analógicos, que são capazes de imitar a biologia - que é tipicamente analógica - foi anunciado poucos dias depois do simulador quântico, que é capaz de simular o mundo subatômico e suas partículas porque funciona com base na mecânica quântica, que rege o comportamento dessas partículas - os computadores digitais não são talhados para nenhum dos dois casos.
O processador analógico resolve naturalmente as equações diferenciais que os biólogos usam para descrever a dinâmica dos seres vivos. [Imagem: Jose-Luis Olivares/MIT]


Compilador analógico
Os processadores analógicos podem ter vantagens em várias áreas em relação aos processadores digitais, como imitar o cérebro, por exemplo.
O grande problema é programá-los.
Um problema que agora começa a se tornar menor, graças a um compilador para computadores analógicos, um programa que traduz instruções de alto nível, escritas em uma linguagem compreensível para os seres humanos - as bem conhecidas linguagens de programação - para as especificações de baixo nível dos componentes do circuito analógico - a também bem conhecida linguagem de máquina.
Transístor analógico
Um transístor, um componente concebido em termos digitais, tem dois estados: ligado e desligado, que podem representar os 0s e 1s da aritmética binária.
Em termos analógicos, contudo, um transistor tem um número infinito de tensões, o que poderia, em princípio, representar uma gama infinita de valores matemáticos. A computação digital, com todas as suas vantagens, traça uma linha "no meio" desses valores, estabelecendo um limite para o que significa ligado e desligado, e deixa de lado toda a potencialidade informacional das demais tensões.
Inúmeros experimentos já comprovaram que os computadores analógicos são muito mais eficientes na simulação de sistemas biológicos do que os computadores digitais, já que tudo na natureza é tipicamente analógico. Mas esses protótipos precisam ser programados manualmente, um processo complexo que seria proibitivamente demorado para aplicações em grande escala - seria um pouco mais complexo do que fazer todos os programas dos computadores digitais em linguagem Assembly.
Desta forma, o novo compilador abre o caminho para aplicações analógicas como a simulação de alta eficiência e de alta precisão de órgãos biológicos inteiros - eventualmente até mesmo de organismos inteiros.
 O processador analógico resolve naturalmente as equações diferenciais que os biólogos usam para descrever a dinâmica dos seres vivos. [Imagem: Jose-Luis Olivares/MIT]  Compilador analógico  Os processadores analógicos podem ter vantagens em várias áreas em relação aos processadores digitais, como imitar o cérebro, por exemplo.  O grande problema é programá-los.  Um problema que agora começa a se tornar menor, graças a um compilador para computadores analógicos, um programa que traduz instruções de alto nível, escritas em uma linguagem compreensível para os seres humanos - as bem conhecidas linguagens de programação - para as especificações de baixo nível dos componentes do circuito analógico - a também bem conhecida linguagem de máquina.  Transístor analógico  Um transístor, um componente concebido em termos digitais, tem dois estados: ligado e desligado, que podem representar os 0s e 1s da aritmética binária.  Em termos analógicos, contudo, um transistor tem um número infinito de tensões, o que poderia, em princípio, representar uma gama infinita de valores matemáticos. A computação digital, com todas as suas vantagens, traça uma linha "no meio" desses valores, estabelecendo um limite para o que significa ligado e desligado, e deixa de lado toda a potencialidade informacional das demais tensões.  Inúmeros experimentos já comprovaram que os computadores analógicos são muito mais eficientes na simulação de sistemas biológicos do que os computadores digitais, já que tudo na natureza é tipicamente analógico. Mas esses protótipos precisam ser programados manualmente, um processo complexo que seria proibitivamente demorado para aplicações em grande escala - seria um pouco mais complexo do que fazer todos os programas dos computadores digitais em linguagem Assembly.  Desta forma, o novo compilador abre o caminho para aplicações analógicas como a simulação de alta eficiência e de alta precisão de órgãos biológicos inteiros - eventualmente até mesmo de organismos inteiros.   O grande interesse nos processadores analógicos está na simulação do funcionamento de organismos vivos - que são tipicamente analógicos. [Imagem: Christine Daniloff] Equações diferenciais  O compilador analógico recebe como entrada equações diferenciais que os biólogos usam para descrever a dinâmica celular, e as traduz em tensões e correntes que fluem através de um processador analógico.  Em princípio o compilador é genérico, funcionando com qualquer chip analógico programável que disponha de uma especificação técnica detalhada, mas os experimentos iniciais foram feitos em um chip analógico desenvolvido pela própria equipe há alguns anos e que vem sendo aprimorado desde então.  O compilador foi testado em cinco conjuntos de equações diferenciais frequentemente utilizados em pesquisa biológica. No conjunto de teste mais simples, com apenas quatro equações, o compilador levou menos de um minuto para gerar uma implementação analógica; no mais complicado, com 75 equações diferenciais, ele levou perto de uma hora. Mas projetar uma aplicação similar à mão levaria de semanas a meses.  Como funciona um processador analógico  De acordo com as leis da física, as tensões e correntes em um circuito analógico precisam se equilibrar. Se essas tensões e correntes codificam variáveis em um conjunto de equações diferenciais, então variar uma irá automaticamente variar as outras. Se as equações descrevem alterações de uma concentração química ao longo do tempo, por exemplo, então fazer variar as entradas ao longo do tempo resultará em uma solução completa para o conjunto completo de equações.  Um circuito digital, por outro lado, precisa fatiar o tempo em milhares ou mesmo milhões de pequenos intervalos e resolver o conjunto completo de equações para cada um deles. E cada transístor no circuito pode representar apenas um de dois valores, em vez de uma faixa contínua de valores.  "Com poucos transistores, circuitos analógicos citomórficos podem resolver equações diferenciais complexas - incluindo os efeitos do ruído - que exigiriam milhões de transistores digitais e milhões de ciclos de relógio digitais," disse o professor Rahul Sarpeshkar, que construiu o compilador analógico juntamente com Sara Achour e Martin Rinard, todos do MIT, nos EUA.  É curioso que o compilador para processadores analógicos, que são capazes de imitar a biologia - que é tipicamente analógica - foi anunciado poucos dias depois do simulador quântico, que é capaz de simular o mundo subatômico e suas partículas porque funciona com base na mecânica quântica, que rege o comportamento dessas partículas - os computadores digitais não são talhados para nenhum dos dois casos.
O grande interesse nos processadores analógicos está na simulação do funcionamento de organismos vivos - que são tipicamente analógicos. [Imagem: Christine Daniloff]
Equações diferenciais
O compilador analógico recebe como entrada equações diferenciais que os biólogos usam para descrever a dinâmica celular, e as traduz em tensões e correntes que fluem através de um processador analógico.
Em princípio o compilador é genérico, funcionando com qualquer chip analógico programável que disponha de uma especificação técnica detalhada, mas os experimentos iniciais foram feitos em um chip analógico desenvolvido pela própria equipe há alguns anos e que vem sendo aprimorado desde então.
O compilador foi testado em cinco conjuntos de equações diferenciais frequentemente utilizados em pesquisa biológica. No conjunto de teste mais simples, com apenas quatro equações, o compilador levou menos de um minuto para gerar uma implementação analógica; no mais complicado, com 75 equações diferenciais, ele levou perto de uma hora. Mas projetar uma aplicação similar à mão levaria de semanas a meses.
Como funciona um processador analógico
De acordo com as leis da física, as tensões e correntes em um circuito analógico precisam se equilibrar. Se essas tensões e correntes codificam variáveis em um conjunto de equações diferenciais, então variar uma irá automaticamente variar as outras. Se as equações descrevem alterações de uma concentração química ao longo do tempo, por exemplo, então fazer variar as entradas ao longo do tempo resultará em uma solução completa para o conjunto completo de equações.
Um circuito digital, por outro lado, precisa fatiar o tempo em milhares ou mesmo milhões de pequenos intervalos e resolver o conjunto completo de equações para cada um deles. E cada transístor no circuito pode representar apenas um de dois valores, em vez de uma faixa contínua de valores.
"Com poucos transistores, circuitos analógicos citomórficos podem resolver equações diferenciais complexas - incluindo os efeitos do ruído - que exigiriam milhões de transistores digitais e milhões de ciclos de relógio digitais," disse o professor Rahul Sarpeshkar, que construiu o compilador analógico juntamente com Sara Achour e Martin Rinard, todos do MIT, nos EUA.
É curioso que o compilador para processadores analógicos, que são capazes de imitar a biologia - que é tipicamente analógica - foi anunciado poucos dias depois do simulador quântico, que é capaz de simular o mundo subatômico e suas partículas porque funciona com base na mecânica quântica, que rege o comportamento dessas partículas - os computadores digitais não são talhados para nenhum dos dois casos.

Fonte: MIT

Bibliografia:

Configuration Synthesis for Programmable Analog Devices with Arco
Sara Achour, Rahul Sarpeshkar, Martin C. Rinard
DOI: 10.1145/2908080.2908116
https://people.csail.mit.edu/sachour/res/pldi16_arco.pdf

domingo, 10 de julho de 2016

Cientistas descobrem gene que pode permitir o cultivo de alimentos no espaço

  Cientistas australianos descobriram o gene que permite que uma planta nativa do tabaco cresça e se reproduza em uma quantidade de tempo incrivelmente curta e em condições de deserto árido.  Se aplicado a outras plantas, este gene pode ser a chave para a obtenção de colheitas que sobrevivam e cresçam rápido o suficiente no ambiente pouco hospitaleiro do espaço, como a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), ou até mesmo em Marte.  “A planta aprendeu a lutar contra a seca, um de seus predadores, a fim de sobreviver por gerações”, disse a pesquisadora Julia Bally, da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), na Austrália. A planta em questão é a Nicotiana benthamiana, conhecia pelos indígenas locais como Pitjuri. Com a observação de seu fóssil, cientistas descobriram que ela era próspera no clima australiano há cerca de 750 mil anos.  A planta também tem a capacidade única de receber genes de outras espécies e vírus sem rejeitá-los, o que a torna um “rato de laboratório” perfeito. Por causa disso ela foi usada em laboratórios para testes genéticos ao longo de décadas, atuando como uma planta modelo para testar vírus e vacinas. Mesmo assim, os cientistas nunca entenderam o que torna a planta tão receptiva a novos genes. Mas, os pesquisadores da própria universidade finalmente encontraram a resposta, e, curiosamente, é o mesmo gene que ajuda a planta a sobreviver no clima rigoroso da Austrália por tanto tempo.  Publicando seus resultados na Nature Plants, os pesquisadores descrevem uma inserção genética encontrada na Pitjuri, que removeu completamente sua capacidade de combater patógenos. O gene literalmente parece encerrar o desejo da planta de lutar contra qualquer invasor.  Isso soa como uma coisa ruim, mas significa que a planta pode direcionar toda a sua energia no crescimento em um curto período de tempo. “A planta perdeu o seu ‘sistema imunológico’ e fez isso para concentrar suas energias na capacidade de germinar e crescer rapidamente, florescendo, e definindo a descendência até mesmo após uma pequena quantidade de chuva”, disse Bally. “Seu foco está na criação de pequenas flores, mas as sementes grandes vão para o solo em tempo para a próxima chuva. O que descobrimos pode ter um grande impacto sobre a futura pesquisa de biotecnologia vegetal”, completou.    A ausência de um sistema imunológico não seria algo benéfico para as culturas existentes na Terra. Em uma fazenda regular, o plantio seria invadido por agentes patogênicos imediatamente. Porém, ela é ideal para ambientes estéreis, como o laboratório, ou o espaço, de acordo com a equipe pesquisadora.  Os cientistas já estão fazendo experiências com culturas de outros vegetais a bordo da ISS. Em agosto, os astronautas consumiram a primeira alface cultivada no espaço. Mas, atualmente, eles estão trabalhando para afinar os comprimentos de onda de luzes que poderiam ser usadas ​​para desencadear a fotossíntese e incentivar o crescimento das plantas.  Conhecer a sequência deste gene também virá a calhar, pois os pesquisadores agora são capazes de digitalizar o gene em outras plantas, o que lhes permitirá testar seu potencial de crescimento rápido, também para uso em testes de laboratório. E, no futuro, se os cientistas conseguirem inserir a mutação genética de Pitjuri em outras culturas, eles seriam capazes de aumentar excessivamente a produção, podendo ser capazes de alimentar os astronautas com vegetais frescos em apenas dias após sua chegada.  Há muito trabalho a ser feito antes que este gene possa ser incorporado em outras espécies, e há também a questão da relutância das pessoas com culturas alimentares geneticamente modificadas. Mas, como esta é a única opção existente para fazer as plantas crescerem de forma rápida o suficiente para alimentar uma colônia em Marte, talvez haja menos objeção.   Fontes: Science Alert

Cientistas australianos descobriram o gene que permite que uma planta nativa do tabaco cresça e se reproduza em uma quantidade de tempo incrivelmente curta e em condições de deserto árido.
Se aplicado a outras plantas, este gene pode ser a chave para a obtenção de colheitas que sobrevivam e cresçam rápido o suficiente no ambiente pouco hospitaleiro do espaço, como a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), ou até mesmo em Marte.
“A planta aprendeu a lutar contra a seca, um de seus predadores, a fim de sobreviver por gerações”, disse a pesquisadora Julia Bally, da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), na Austrália. A planta em questão é a Nicotiana benthamiana, conhecia pelos indígenas locais como Pitjuri. Com a observação de seu fóssil, cientistas descobriram que ela era próspera no clima australiano há cerca de 750 mil anos.
A planta também tem a capacidade única de receber genes de outras espécies e vírus sem rejeitá-los, o que a torna um “rato de laboratório” perfeito. Por causa disso ela foi usada em laboratórios para testes genéticos ao longo de décadas, atuando como uma planta modelo para testar vírus e vacinas. Mesmo assim, os cientistas nunca entenderam o que torna a planta tão receptiva a novos genes. Mas, os pesquisadores da própria universidade finalmente encontraram a resposta, e, curiosamente, é o mesmo gene que ajuda a planta a sobreviver no clima rigoroso da Austrália por tanto tempo.
Publicando seus resultados na Nature Plants, os pesquisadores descrevem uma inserção genética encontrada na Pitjuri, que removeu completamente sua capacidade de combater patógenos. O gene literalmente parece encerrar o desejo da planta de lutar contra qualquer invasor.
Isso soa como uma coisa ruim, mas significa que a planta pode direcionar toda a sua energia no crescimento em um curto período de tempo. “A planta perdeu o seu ‘sistema imunológico’ e fez isso para concentrar suas energias na capacidade de germinar e crescer rapidamente, florescendo, e definindo a descendência até mesmo após uma pequena quantidade de chuva”, disse Bally. “Seu foco está na criação de pequenas flores, mas as sementes grandes vão para o solo em tempo para a próxima chuva. O que descobrimos pode ter um grande impacto sobre a futura pesquisa de biotecnologia vegetal”, completou.
  Cientistas australianos descobriram o gene que permite que uma planta nativa do tabaco cresça e se reproduza em uma quantidade de tempo incrivelmente curta e em condições de deserto árido.  Se aplicado a outras plantas, este gene pode ser a chave para a obtenção de colheitas que sobrevivam e cresçam rápido o suficiente no ambiente pouco hospitaleiro do espaço, como a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), ou até mesmo em Marte.  “A planta aprendeu a lutar contra a seca, um de seus predadores, a fim de sobreviver por gerações”, disse a pesquisadora Julia Bally, da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), na Austrália. A planta em questão é a Nicotiana benthamiana, conhecia pelos indígenas locais como Pitjuri. Com a observação de seu fóssil, cientistas descobriram que ela era próspera no clima australiano há cerca de 750 mil anos.  A planta também tem a capacidade única de receber genes de outras espécies e vírus sem rejeitá-los, o que a torna um “rato de laboratório” perfeito. Por causa disso ela foi usada em laboratórios para testes genéticos ao longo de décadas, atuando como uma planta modelo para testar vírus e vacinas. Mesmo assim, os cientistas nunca entenderam o que torna a planta tão receptiva a novos genes. Mas, os pesquisadores da própria universidade finalmente encontraram a resposta, e, curiosamente, é o mesmo gene que ajuda a planta a sobreviver no clima rigoroso da Austrália por tanto tempo.  Publicando seus resultados na Nature Plants, os pesquisadores descrevem uma inserção genética encontrada na Pitjuri, que removeu completamente sua capacidade de combater patógenos. O gene literalmente parece encerrar o desejo da planta de lutar contra qualquer invasor.  Isso soa como uma coisa ruim, mas significa que a planta pode direcionar toda a sua energia no crescimento em um curto período de tempo. “A planta perdeu o seu ‘sistema imunológico’ e fez isso para concentrar suas energias na capacidade de germinar e crescer rapidamente, florescendo, e definindo a descendência até mesmo após uma pequena quantidade de chuva”, disse Bally. “Seu foco está na criação de pequenas flores, mas as sementes grandes vão para o solo em tempo para a próxima chuva. O que descobrimos pode ter um grande impacto sobre a futura pesquisa de biotecnologia vegetal”, completou.    A ausência de um sistema imunológico não seria algo benéfico para as culturas existentes na Terra. Em uma fazenda regular, o plantio seria invadido por agentes patogênicos imediatamente. Porém, ela é ideal para ambientes estéreis, como o laboratório, ou o espaço, de acordo com a equipe pesquisadora.  Os cientistas já estão fazendo experiências com culturas de outros vegetais a bordo da ISS. Em agosto, os astronautas consumiram a primeira alface cultivada no espaço. Mas, atualmente, eles estão trabalhando para afinar os comprimentos de onda de luzes que poderiam ser usadas ​​para desencadear a fotossíntese e incentivar o crescimento das plantas.  Conhecer a sequência deste gene também virá a calhar, pois os pesquisadores agora são capazes de digitalizar o gene em outras plantas, o que lhes permitirá testar seu potencial de crescimento rápido, também para uso em testes de laboratório. E, no futuro, se os cientistas conseguirem inserir a mutação genética de Pitjuri em outras culturas, eles seriam capazes de aumentar excessivamente a produção, podendo ser capazes de alimentar os astronautas com vegetais frescos em apenas dias após sua chegada.  Há muito trabalho a ser feito antes que este gene possa ser incorporado em outras espécies, e há também a questão da relutância das pessoas com culturas alimentares geneticamente modificadas. Mas, como esta é a única opção existente para fazer as plantas crescerem de forma rápida o suficiente para alimentar uma colônia em Marte, talvez haja menos objeção.   Fontes: Science Alert

A ausência de um sistema imunológico não seria algo benéfico para as culturas existentes na Terra. Em uma fazenda regular, o plantio seria invadido por agentes patogênicos imediatamente. Porém, ela é ideal para ambientes estéreis, como o laboratório, ou o espaço, de acordo com a equipe pesquisadora.
Os cientistas já estão fazendo experiências com culturas de outros vegetais a bordo da ISS. Em agosto, os astronautas consumiram a primeira alface cultivada no espaço. Mas, atualmente, eles estão trabalhando para afinar os comprimentos de onda de luzes que poderiam ser usadas ​​para desencadear a fotossíntese e incentivar o crescimento das plantas.
Conhecer a sequência deste gene também virá a calhar, pois os pesquisadores agora são capazes de digitalizar o gene em outras plantas, o que lhes permitirá testar seu potencial de crescimento rápido, também para uso em testes de laboratório. E, no futuro, se os cientistas conseguirem inserir a mutação genética de Pitjuri em outras culturas, eles seriam capazes de aumentar excessivamente a produção, podendo ser capazes de alimentar os astronautas com vegetais frescos em apenas dias após sua chegada.
Há muito trabalho a ser feito antes que este gene possa ser incorporado em outras espécies, e há também a questão da relutância das pessoas com culturas alimentares geneticamente modificadas. Mas, como esta é a única opção existente para fazer as plantas crescerem de forma rápida o suficiente para alimentar uma colônia em Marte, talvez haja menos objeção.

Fontes: Science Alert 

Sonda Juno da NASA faz história ao entrar em órbita de Júpiter após jornada épica


A sonda solar motorizada Juno, que deixou a Terra há cinco anos, fez história ao entrar em órbita de Júpiter, às 04:18 GMT (07:18 horário de Brasília), desacelerando-se para menos de uma velocidade de 265.000 km/h, o suficiente para conseguir ficar com sucesso em torno da órbita no planeta.
Com esse objetivo alcançado, a sonda finalmente atinge o ponto final de sua jornada de mais de 2,8 bilhões de quilômetros da Terra. Agora, espera-se que ela forneça informações para que os cientistas possam entender como nosso planeta e o resto do Sistema Solar se desenvolveu, conforme reportado pelo jornal inglês Daily Mail.
Com a sonda em piloto automático, os movimentos delicadamente coreografados se realizaram sem qualquer ajuda dos controladores na Terra, de modo que todos os pesquisadores responsáveis por ela irromperam em aplausos após a confirmação da chegada à órbita. O cientista chefe da missão, Scott Bolton, parabenizou a equipe, dizendo: “Vocês acabaram de fazer a coisa mais difícil que a NASA já fez. Nós estamos lá. Estamos em órbita. Conquistamos Júpiter”. 

A missão
O nome Juno vem da mitologia Grega e Romana. Júpiter, o pai dos deuses Romanos, desenhou um véu de nuvens em torno de si para esconder sua maldade. Sua esposa, a deusa Juno, foi capaz de se espreitar por entre essas nuvens e revelar a verdadeira natureza do marido. 
A sonda foi lançada da Terra em 5 de agosto de 2011. Após mais de 30 voos rasantes orbitais no planeta gigante, ela agora irá sondar as auroras de Júpiter para saber mais sobre suas origens, estrutura, atmosfera e magnetosfera. Ela passará por cima dos polos por um total de 37 vezes, através de um caminho de menor radiação. Segundo o Daily Mail, são necessários 48 minutos e 19 segundos para que os sinais de rádio da sonda cheguem à Terra.
Campo magnético de Júpiter.

Em órbita a 5.000 quilômetros de altura da superfície de Júpiter, Juno deslizará para até 4.200 km, para dentro das nuvens do planeta e o suficiente para fornecer cobertura global em uma única imagem. Nenhuma nave anterior já orbitou tão perto desse planeta. Para completar sua arriscada missão, a sonda terá de sobreviver às poderosas tempestades geradas pelo gigante campo magnético e ao turbilhão de partículas de alta energia que viajam à velocidade da luz criando um dos ambientes de radiação mais severos do Sistema Solar.
Para lidar com essas condições, a nave foi protegida com sensores especiais de radiação e sistema de blindagem. Seu “cérebro”, um computador de bordo, está alojado em um cofre blindado feito de titânio, que pesa cerca de 172 quilos.
Objetivos
Os objetivos da missão incluem estudar a atmosfera de Júpiter e ajudar a desvendar os segredos de formação do Universo, por exemplo, como o tempo está ligado aos processos ocultos nas profundezas do planeta. Entre outras questões, os cientistas pretendem descobrir sobre a existência de água, se existe um núcleo sólido e por que as luzes do sul e norte são as mais brilhantes do sistema solar. Além disso, há também o mistério de sua Grande Mancha Vermelha, que está diminuindo, de acordo com observações feita pelo telescópio Hubble. A missão durará apenas 20 meses, se encerrando em 2018, quando mergulhará para dentro da atmosfera de Júpiter e se desintegrará – um sacrifício necessário para evitar a chance de quaisquer colisões com potenciais luas habitáveis do planeta.
Bonecos Lego em Júpiter

Dentro da sonda foram enviados para passeio três bonecos de 3,81 centímetros da marca Lego, que retratam o astrônomo italiano Galileu Galilei, o deus romano Júpiter e a esposa Juno. Todos feitos de alumínio para suportar o ambiente hostil do planeta.
Chamando a atenção para esses personagens, a NASA pretende inspirar a próxima geração de engenheiros espaciais, encorajando crianças a explorarem temas como ciência e tecnologia. No entanto, a missão dos pequenos bonecos é suicida, já que, em 2018, quando a nave mergulhar dentro da atmosfera do planeta, ela se desintegrará levando consigo as figuras Lego. A missão Juno faz parte do programa espacial robótico da NASA, Novas Fronteiras, que no ano passado, por meio da sonda New Horizons, obteve imagens próximas do planeta anão Plutão. 


Fontes: 

Daily Mail ] [ Fotos: Reprodução / NASA ]

Carvão pode ter usos de alta tecnologia

Reabilitação do carvão  O carvão tem má-fama pela poluição gerada por sua queima, mas novas possibilidades de aplicação podem significar novas impressões.  O carvão é basicamente carbono, mas há diferenças enormes na sua forma de cristalização. Veja, por exemplo, o caso do grafite, dos nanotubos de carbono e do grafeno, todos igualmente carbono, mas cada um com suas próprias aplicações e potenciais futurísticos.  Brent Keller, do MIT, nos EUA, decidiu analisar o que poderia ser feito para recuperar o antecedente de má-fama de outros membros da família. Para isso, ele analisou as propriedades químicas, elétricas e ópticas de quatro tipos de carvão mineral, dentre as centenas conhecidas: antracito, linhito e dois tipos betuminosos.  O trabalho mostrou que basta gastar um pouco de esforço na purificação de cada tipo de carvão mineral para que ele revele seus verdadeiros valores, a maioria de alto potencial tecnológico. Na realidade, é o mesmo que acontece com o silício, que é o segundo elemento mais abundante na crosta da Terra, mas que não ocorre naturalmente com a pureza de 99,999% necessária para ser transformado em chips ou células solares.  Condutividade elétrica  Entre os vários aspectos interessantes revelados pelos minerais de carvão destaca-se uma ampla faixa de condutividades elétricas, que se espalha por várias ordens de magnitude - mais de 10 milhões de vezes de um ponto a outro da escala. Isto significa que um único tipo de carvão pode fornecer todas as propriedades elétricas necessárias para um componente eletrônico em particular.  Além disso, simplesmente ajustando a temperatura sob a qual o carvão é processado, é possível ajustar várias propriedades ópticas e elétricas do material para que ele atinja exatamente os valores desejados.  Para demonstrar esse potencial, Keller usou suas amostras, na forma de filmes finos feitos a partir do pó de cada tipo de carvão, para criar um pequeno dispositivo de aquecimento que poderia ser usado diretamente para desembaçar janelas de automóveis ou evitar a formação de gelo nas asas dos aviões, ou mesmo como parte de um implante biomédico.  Com base nas características do material e dos resultados do teste prático, os pesquisadores afirmam que o carvão pode ser usado em aplicações que vão de painéis solares e baterias até componentes eletrônicos para computadores. Para isso, basta que os cientistas dos materiais olhem para o carvão com outros olhos.
Carvão não serve só para ser queimado: basta purificá-lo para que ele apresente propriedades sem paralelo. [Imagem: Jeffrey Grossman Lab/MIT]

Reabilitação do carvão
O carvão tem má-fama pela poluição gerada por sua queima, mas novas possibilidades de aplicação podem significar novas impressões.
O carvão é basicamente carbono, mas há diferenças enormes na sua forma de cristalização. Veja, por exemplo, o caso do grafite, dos nanotubos de carbono e do grafeno, todos igualmente carbono, mas cada um com suas próprias aplicações e potenciais futurísticos.
Brent Keller, do MIT, nos EUA, decidiu analisar o que poderia ser feito para recuperar o antecedente de má-fama de outros membros da família. Para isso, ele analisou as propriedades químicas, elétricas e ópticas de quatro tipos de carvão mineral, dentre as centenas conhecidas: antracito, linhito e dois tipos betuminosos.
O trabalho mostrou que basta gastar um pouco de esforço na purificação de cada tipo de carvão mineral para que ele revele seus verdadeiros valores, a maioria de alto potencial tecnológico. Na realidade, é o mesmo que acontece com o silício, que é o segundo elemento mais abundante na crosta da Terra, mas que não ocorre naturalmente com a pureza de 99,999% necessária para ser transformado em chips ou células solares.
Condutividade elétrica
Entre os vários aspectos interessantes revelados pelos minerais de carvão destaca-se uma ampla faixa de condutividades elétricas, que se espalha por várias ordens de magnitude - mais de 10 milhões de vezes de um ponto a outro da escala. Isto significa que um único tipo de carvão pode fornecer todas as propriedades elétricas necessárias para um componente eletrônico em particular.
Além disso, simplesmente ajustando a temperatura sob a qual o carvão é processado, é possível ajustar várias propriedades ópticas e elétricas do material para que ele atinja exatamente os valores desejados.
Para demonstrar esse potencial, Keller usou suas amostras, na forma de filmes finos feitos a partir do pó de cada tipo de carvão, para criar um pequeno dispositivo de aquecimento que poderia ser usado diretamente para desembaçar janelas de automóveis ou evitar a formação de gelo nas asas dos aviões, ou mesmo como parte de um implante biomédico.
Com base nas características do material e dos resultados do teste prático, os pesquisadores afirmam que o carvão pode ser usado em aplicações que vão de painéis solares e baterias até componentes eletrônicos para computadores. Para isso, basta que os cientistas dos materiais olhem para o carvão com outros olhos.

Bibliografia:

Rethinking Coal: Thin Films of Solution Processed Natural Carbon Nanoparticles for Electronic Devices
Brent D. Keller, Nicola Ferralis, Jeffrey C. Grossman
Nano Letters
Vol.: Article ASAP
DOI: 10.1021/acs.nanolett.5b04735

Brasil começa a exportar urânio enriquecido

 Urânio enriquecido será vendido à Argentina.[Imagem: INB]  Dióxido de urânio  A INB (Indústrias Nucleares do Brasil) exportará urânio enriquecido pela primeira vez.  A empresa, vinculada ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), fará suas primeiras exportações para a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar).  O acordo prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires. O contrato tem um valor de US$ 4,5 milhões.  As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.  Enriquecimento de urânio  Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares.  Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultracentrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.  Transferência de tecnologia  O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.  Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.  Urânio  Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.  A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas.    Fonte: Agência Brasil
Urânio enriquecido será vendido à Argentina.[Imagem: INB]

Dióxido de urânio
A INB (Indústrias Nucleares do Brasil) exportará urânio enriquecido pela primeira vez.
A empresa, vinculada ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), fará suas primeiras exportações para a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar).
O acordo prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires. O contrato tem um valor de US$ 4,5 milhões.
As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.
Enriquecimento de urânio
Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares.
Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultracentrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.
Transferência de tecnologia
O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.
Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.
Urânio
Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.
A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas.

Fonte: Agência Brasil 

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